Levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas aponta Aracaju como a cidade brasileira que mais destinou recursos para contratação de artistas entre janeiro de 2024 e março de 2026. Segundo o dossiê *Farras*, foram pagos R$ 39,27 milhões em cachês nos principais eventos promovidos pelo Governo de Sergipe e pela Prefeitura da capital.
De acordo com o estudo, cerca de R$ 24 milhões correspondem às atrações do Arraiá do Povo, realizado pelo governo estadual, enquanto aproximadamente R$ 13 milhões foram destinados ao Forró Caju, organizado pela administração municipal.
Além de reunir dados sobre contratações artísticas, o levantamento analisa possíveis relações entre emendas parlamentares, grupos políticos, empresas do setor de entretenimento e o mercado de apostas esportivas. Os pesquisadores afirmam que o objetivo é discutir a concentração de recursos públicos em um número reduzido de artistas e produtoras, sem questionar a realização de grandes eventos culturais.
Segundo o pesquisador do observatório Tonsk Fialho, o debate proposto pelo estudo envolve o funcionamento do mercado de shows financiados pelo poder público.
“O relatório não é contra o investimento público em cultura nem contra grandes festas populares. A questão é entender por que os recursos acabam concentrados em um número tão pequeno de artistas e produtoras, enquanto tantos outros artistas locais e regionais ficam fora desse circuito”, afirmou.
O dossiê destaca que o Nordeste concentrou 72% dos recursos destinados aos 40 artistas mais contratados pelo poder público no período analisado. Entre os nomes citados estão Wesley Safadão, Natanzinho Lima, Simone Mendes, Calcinha Preta, Zé Vaqueiro, Pablo, Solange Almeida, Limão com Mel e Dorgival Dantas.
O estudo também relaciona a realização de grandes eventos à atuação de parlamentares por meio de emendas Pix e à presença de artistas que mantêm contratos publicitários com plataformas de apostas esportivas. Os autores ressaltam, porém, que a existência dessas conexões não significa que as emendas tenham sido utilizadas diretamente para custear os shows.
Justificativas
Em resposta ao levantamento, o Governo de Sergipe informou que todas as contratações seguem a Lei nº 14.133/2021 e a jurisprudência do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo a administração estadual, a escolha das atrações considera critérios técnicos, como relevância cultural, reconhecimento público, adequação ao perfil dos eventos, potencial turístico, disponibilidade de agenda e compatibilidade dos cachês com os valores praticados no mercado.
O governo também afirmou que os investimentos nos festejos juninos produzem impactos econômicos relevantes. Dados oficiais apontam que, em 2025, o ciclo junino recebeu R$ 40 milhões em investimentos, movimentou mais de R$ 250 milhões na economia estadual, atraiu mais de 219 mil turistas e beneficiou setores como comércio, hotelaria, alimentação, transporte e serviços.
Ainda conforme a gestão estadual, a valorização da cultura sergipana permanece como um dos pilares da programação. No Arraiá do Povo deste ano, 72 das 117 atrações foram sergipanas, enquanto a programação da Vila do Forró é composta exclusivamente por artistas e manifestações culturais locais.
A Prefeitura de Aracaju foi procurada pelos responsáveis pelo estudo, mas, segundo a publicação, não havia se manifestado até o fechamento da reportagem.







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