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Automedicação pode mascarar doenças graves e causar danos ao fígado, rins e coração

por | 24 jul, 2026

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O hábito de tomar medicamentos por conta própria continua frequente entre os brasileiros, principalmente para aliviar sintomas como dor de cabeça, febre e dores musculares. Embora muitos analgésicos, anti-inflamatórios e antitérmicos sejam vendidos sem receita, especialistas alertam que o uso indiscriminado pode provocar complicações à saúde e atrasar o diagnóstico de doenças graves.

Segundo o professor do curso de Enfermagem da Afya Maceió, Wbiratan de Lima Souza, a automedicação é influenciada por fatores como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a facilidade de compra dos medicamentos e a prática de seguir recomendações de familiares e amigos.

“Embora a prática pareça uma solução rápida para aliviar sintomas do dia a dia, ela esconde riscos severos para a saúde a curto, médio e longo prazo. O uso frequente de medicamentos sem orientação pode trazer consequências importantes para diversos órgãos do corpo e retardar o diagnóstico de doenças que exigem tratamento específico”, afirma.

De acordo com o especialista, o uso excessivo de analgésicos e anti-inflamatórios pode causar gastrite, úlceras, sangramentos digestivos e insuficiência renal. Já o consumo de paracetamol acima da dose recomendada está entre as principais causas de insuficiência hepática aguda.

O professor também chama a atenção para os riscos cardiovasculares associados ao uso prolongado de alguns anti-inflamatórios, que podem elevar a pressão arterial, reduzir o efeito de medicamentos para hipertensão e aumentar o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Além dos danos ao organismo, a automedicação pode esconder doenças que exigem tratamento imediato.

“Quando a pessoa toma medicamentos repetidamente para aliviar dores ou febre, ela elimina temporariamente o sintoma, mas não resolve a causa do problema. Isso pode mascarar doenças graves, como infecções, tumores ou até casos de apendicite, reduzindo as chances de um tratamento precoce e eficaz”, explica.

Outro equívoco comum, segundo Wbiratan, é acreditar que medicamentos isentos de prescrição são totalmente seguros. Ele ressalta que qualquer remédio pode provocar reações adversas, intoxicações e interações perigosas, especialmente quando combinado com álcool, outros medicamentos, suplementos ou fitoterápicos.

O especialista orienta que sintomas persistentes ou recorrentes devem ser avaliados por um profissional de saúde.

“A automedicação deve ser evitada. O uso racional de medicamentos significa utilizar o remédio certo, na dose correta, pelo tempo adequado e sempre com orientação de um profissional habilitado. Essa é a forma mais segura de proteger a saúde e evitar complicações que podem ser graves”, conclui.

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