A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), referente ao mês de maio, revela um cenário alarmante para as famílias de Maceió: 80% dos lares da capital possuem algum tipo de dívida, o que representa um salto de 15 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
O aumento atinge com mais força os lares com renda de até 10 salários-mínimos, onde o índice de endividamento chega a 80,6%. Além disso, 41% das famílias estão inadimplentes — um crescimento de mais de 40% em relação ao ano anterior. Entre as famílias de menor renda, esse percentual sobe para 43%, evidenciando maiores dificuldades para manter os compromissos financeiros em dia.
A percepção sobre a gravidade do endividamento também piorou. Em maio, 20,7% das famílias se declararam “muito endividadas”, contra 18,9% no mês anterior. Houve queda nas faixas de “pouco” e “mais ou menos” endividados, o que indica uma migração para um grau mais severo de comprometimento financeiro. “Esse movimento pode refletir o agravamento da situação econômica de parte das famílias, impulsionado pelo aumento do custo de vida e maior dependência de crédito”, avalia Francisco Rosário, assessor econômico do Instituto Fecomércio.
Apesar do cenário preocupante, o percentual de famílias que afirmam não ter condições de pagar suas dívidas se manteve estável em 9,1%, número até inferior ao registrado em maio do ano passado. Isso pode sinalizar efeitos positivos de renegociações, programas de apoio ou uma leve recuperação da renda.
O cartão de crédito segue como o principal vilão do orçamento familiar: 99% das famílias endividadas têm dívidas nessa modalidade, que vem sendo usada até para despesas cotidianas. Os carnês também ganharam destaque, sendo utilizados por 33,1% dos consumidores — quase o dobro do observado em 2024. Crédito pessoal (6,3%) e financiamentos de veículos e imóveis (5,5%) completam os principais meios de endividamento.
Mesmo entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o endividamento cresceu de 61% para 72% em um ano. No entanto, a inadimplência neste grupo permanece baixa, em 13,4%, o que sugere maior capacidade de planejamento e negociação financeira.
Segundo a análise do Instituto Fecomércio, o avanço do endividamento e da inadimplência pode impactar diretamente o comércio varejista da capital. O uso do crédito, cada vez mais voltado a despesas básicas, acende um alerta sobre a sustentabilidade do consumo. “Esse comportamento exige atenção do comércio local, pois o comprometimento da renda familiar pode afetar diretamente a capacidade de pagamento e o volume de vendas”, conclui Rosário.





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