A taxa de analfabetismo entre pessoas pretas e pardas com 15 anos ou mais caiu em todos os estados brasileiros entre 2016 e 2025. Em Pernambuco, porém, a redução foi uma das menores do país: 13%, resultado que deixou o estado na penúltima posição do ranking nacional, à frente apenas do Amapá.
Os dados, analisados pela Agência Tatu, têm como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A série histórica foi recalculada após os resultados do Censo Demográfico de 2022.
Em Pernambuco, o índice de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas passou de 12,9% em 2016 para 11,2% em 2025. No mesmo período, o Maranhão apresentou o melhor desempenho do Nordeste, com redução de 31,3%, passando de 16,6% para 11,4%.
No cenário nacional, Santa Catarina teve a maior queda, com redução de 56% na taxa de analfabetismo da população negra, seguido por Roraima (45%) e Goiás (42%). Já o Amapá registrou a menor redução, de apenas 1,9%.
Apesar da queda no número de pessoas analfabetas, o Nordeste continua concentrando os maiores índices do país. Em 2025, Alagoas apresentou a maior taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas com 15 anos ou mais, com 14,2%, seguido por Piauí (13,8%) e Paraíba (12,6%).
Desigualdade regional
Em todo o Nordeste, o número de pessoas pretas ou pardas analfabetas caiu de 4,69 milhões, em 2016, para 3,82 milhões, em 2025 — redução de cerca de 874 mil pessoas. Ainda assim, a região teve o menor avanço proporcional do país, com queda de 24% na taxa de analfabetismo.
Para o doutor em Educação e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Givanildo da Silva, os índices refletem desigualdades sociais históricas.
“O analfabetismo deve ser compreendido como o reflexo de uma condição sócio-histórica que repercute diretamente na escolarização do país”, afirma.
Segundo o pesquisador, fatores como trabalho infantil, desemprego, fome e dificuldades de acesso e permanência na escola contribuíram para os indicadores educacionais mais baixos na região Nordeste.
Apesar dos desafios, Givanildo destaca avanços recentes, mas defende a ampliação de investimentos em formação de professores, infraestrutura escolar e políticas de permanência estudantil.
“Pensar a educação exige paciência histórica, visto que os resultados são colhidos a longo prazo”, avalia.
Cenário nacional
O Brasil registrou, em 2025, 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabiam ler e escrever, o equivalente a 4,9% da população nessa faixa etária. Pela primeira vez desde 2016, o índice ficou abaixo de 5%.
O Nordeste concentra mais da metade da população analfabeta do país, com cerca de 4,8 milhões de pessoas e uma taxa de 10,6%. Em seguida aparecem Norte (5,7%), Centro-Oeste (3,3%), Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%).
Mesmo com a redução registrada nos últimos anos, o Brasil ainda não alcançou a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024.
*Com Agência Tatu





0 comentários