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Pesquisa apoiada pela Fapeal projeta Alagoas no debate científico sobre violência e facções

por | 1 set, 2025

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Foto: Agência Alagoas

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) segue fortalecendo a produção científica com apoio a estudos que investigam fenômenos centrais da sociedade contemporânea. Um exemplo é a pesquisa “Conexões marginais: periferias, mercados ilegais e a expansão das facções criminais no Brasil”, conduzida pelo professor Fernando Rodrigues, do Instituto de Ciências Sociais da Ufal.

Aprovado no edital Fapeal/Fapesp de Auxílio à Pesquisa Científica, o projeto já gerou artigos em revistas nacionais e internacionais, colocando Alagoas em evidência no campo dos estudos sobre juventudes periféricas e transformações sociais.

Segundo Rodrigues, a iniciativa nasceu de investigações anteriores sobre adolescentes em mercados ilegais. A mobilidade das famílias, que frequentemente enviam filhos para outros estados em busca de segurança, trouxe pistas decisivas para compreender a expansão faccional no Brasil.

“O desafio não é apenas reprimir o crime, mas apoiar as famílias desses adolescentes”, afirmou o pesquisador, destacando a contribuição do estudo para políticas públicas de juventude, assistência social e segurança.

Entre os resultados, o artigo “Mobilidades clandestinas: pessoas e motos, coronelatos e facções” analisa a trajetória de uma motocicleta de baixa cilindrada, conectando mercados formais, informais e ilegais, e revelando redes complexas que vão de bancos a facções.

Outro trabalho, “Expansão das facções, mutação dos mercados ilegais”, mostra como PCC e CV ampliaram suas operações para além das metrópoles, chegando a presídios, zonas rurais e cadeias produtivas legais.

O estudo evidencia que facções oferecem, além de inserção econômica, vínculos afetivos que funcionam como redes de acolhimento em contextos de fragilidade social. Esse aspecto ajuda a explicar como jovens encontram nesses grupos suporte material e emocional, transformando os mercados ilegais em fenômenos sociais mais complexos.

Para o professor, compreender a interiorização da violência é o próximo passo. Se nos anos 2000 os homicídios preocupavam as metrópoles, e depois as capitais do Norte e Nordeste, hoje a violência atinge cidades médias e pequenas, com novas disputas de poder.

A pesquisa busca iluminar mecanismos pouco visíveis que alimentam esses mercados e oferecer subsídios para políticas de prevenção da violência e fortalecimento da proteção social.

Rodrigues destaca que o apoio da Fapeal foi decisivo. “O investimento da Fundação transformou a pesquisa em uma rede de conhecimento que nasce em Alagoas, mas dialoga com desafios globais. Isso coloca o estado em protagonismo científico no debate sobre violência, mobilidade e sociedade”, concluiu.

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