sábado, 27 junho 2026
Nublado
Maceió
25°C
Nublado
Nublado
Maceió
25°C
Nublado

PPP de luxo: JHC governa Maceió como um síndico de condomínio

por | 24 maio, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Projeção do Complexo Administrativo Municipal | Reprodução

Por Geraldo de Majella*

Por mais que a Prefeitura de Maceió se apresente sob a fachada de modernidade e eficiência, a realidade é outra: o município assiste a um processo acelerado de privatização dos serviços e do patrimônio público, comprometendo o futuro da cidade e de seus cidadãos mais vulneráveis.

A gestão de João Henrique Caldas (JHC) tem adotado um modelo que privilegia contratos bilionários com empresas privadas — como a Parceria Público-Privada (PPP) para o Complexo Administrativo Municipal — onde a prefeitura pagará valores exorbitantes durante 30 anos, transformando bens públicos em ativos financeiros a serviço do setor privado.

A matemática é clara: R$ 197 milhões de investimento inicial viram uma dívida de R$ 1,79 bilhão, com a cidade obrigada a pagar um aluguel por um patrimônio que já é seu.
Esse modelo, conhecido como concessão administrativa, transfere os riscos para a administração municipal, enquanto os lucros ficam com os parceiros privados. Assim, o contribuinte assume o ônus independentemente da qualidade ou do resultado do serviço prestado. Longe de representar modernização, essa política pública privilegia o mercado em detrimento da população.

Enquanto isso, nos bairros periféricos de Maceió, os serviços essenciais — saúde, transporte, educação e infraestrutura social — são negligenciados. O discurso de transformação urbana limita-se a intervenções pontuais e visuais, como pequenas praças e quadras, que pouco alteram a vida de quem realmente depende da ação governamental.

Além disso, a ausência de transparência nas contas públicas é alarmante. Toda empresa privada publica, ao final de cada exercício, seu balanço financeiro de forma transparente e auditada por empresas especializadas e agências financeiras vinculadas às bolsas de valores — garantia básica para assegurar a credibilidade da gestão e o uso correto dos recursos. Aqui em Maceió, contudo, o “CEO” da prefeitura tem suas contas aprovadas em apenas 10 segundos pela Câmara Municipal, sem debates profundos ou prestação clara de contas à população.

Onde estão os balanços financeiros completos, os pagamentos detalhados, os projetos executados, os aditivos contratuais e a contabilidade da gestão municipal? Se JHC estivesse à frente de uma empresa privada, sua falta de transparência já teria motivado demissão ou responsabilização por descumprimento das normas básicas de governança.

JHC administra Maceió como um CEO em um grande negócio privado, esquecendo que a prefeitura não é uma empresa, e que sua responsabilidade maior é com a população — sobretudo com os mais pobres e vulneráveis. Ao transformar a cidade em um ativo financeiro, ele abre mão do compromisso social que deve estar no centro da gestão pública.

O resultado é o abandono crescente dos bairros periféricos, um serviço público fragmentado e subfinanciado, e uma população que paga caro por uma falsa modernização que atende aos interesses privados. Maceió não pode ser tratada como mercadoria, nem seu povo como consumidor de luxo efêmero.

É urgente que a sociedade civil e os representantes legítimos da cidade exijam transparência, participação e uma revisão profunda desse modelo de gestão que privilegia o mercado em detrimento da cidadania. Sem esses ajustes, a cidade continuará à venda — e a população, cada vez mais excluída.

*Historiador e jornalista

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *