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A violência que resiste: denúncias expõem tortura policial e impunidade no Brasil

por | 3 abr, 2026

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Reprodução

A rotina de violência policial no Brasil, marcada por denúncias de tortura, fraudes e impunidade, ganha novos contornos em reportagem da Agência Pública. Histórias recentes e antigas apontam para um padrão persistente: abusos cometidos por agentes do Estado ainda enfrentam barreiras para serem investigados e punidos.

Um dos casos é o do motoboy André Mezzette, agredido em 2020 por um policial militar em São Paulo. Mesmo após ser espancado e ameaçado com arma, ele acabou preso sob acusação forjada de tentativa de roubo. A versão só caiu por terra após vídeos gravados por moradores, que mostraram as agressões. Anos depois, Mezzette venceu uma ação por danos morais, mas relata marcas profundas. “Hoje, quando vejo a polícia, começo a tremer. Não vivo em paz”, contou.

Outro episódio, mais recente, terminou em morte. Em Uruguaiana, Guilherme Moisés de Jesus morreu após uma abordagem de policiais do batalhão de choque. Familiares relatam sinais de tortura no corpo e apontam inconsistências na versão oficial. Até hoje, o caso segue cercado de dúvidas e sem respostas definitivas.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a dificuldade de responsabilizar agentes públicos não é pontual, mas estrutural. A defensora Fernanda Penteado Balera classifica casos como o de Mezzette como tortura e destaca que o reconhecimento judicial ainda é raro. Já a pesquisadora Maria Gorete Marques de Jesus aponta a continuidade histórica da violência, com raízes que antecedem a ditadura e se mantêm na democracia.

A ausência de dados oficiais sobre tortura, a dependência da palavra policial nas investigações e a resistência de instituições em apurar denúncias reforçam o cenário. Estudos citados indicam que, mesmo quando há relatos de violência em audiências judiciais, a apuração raramente avança.

Para especialistas, mecanismos como câmeras corporais podem ajudar a reduzir abusos, mas ainda enfrentam limitações de uso. Enquanto isso, familiares de vítimas seguem assumindo o papel de buscar provas e pressionar por justiça.

Mais de quatro décadas após o fim da Ditadura Militar no Brasil, a prática da tortura permanece como um desafio no país. Para quem vive nas periferias, dizem relatos reunidos pela Agência Pública, a sensação é de continuidade. “A ditadura nunca acabou”, resume uma das vítimas.

A reportagem evidencia que, apesar de avanços legais, o enfrentamento da violência de Estado no Brasil ainda esbarra em entraves institucionais e culturais — e segue longe de uma solução definitiva.

A reportagem completa está disponível no link.

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