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Eduardo Bolsonaro e o impasse da extrema-direita

por | 4 out, 2025

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Foto: Saul Loeb/AFP

A cena política da extrema-direita brasileira atravessa um período de derrotas acumuladas e enfrentamento institucional. O encontro em Miami entre o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), e Eduardo Bolsonaro, revela a tentativa de setores do partido em conduzir o herdeiro político de Jair Bolsonaro a uma postura de “moderação”. A conversa, que durou uma hora e meia, terminou com a reafirmação de Eduardo: não há planos de mudança de rota.

Esse recado insere-se em um quadro mais amplo de fracassos. A chamada “PEC da Blindagem”, o projeto de anistia para golpistas, as pressões contra a tributação progressiva do imposto de renda e até a defesa de um tarifaço de 50% imposto pelos EUA contra o Brasil — articulado por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo junto a autoridades norte-americanas — compõem um pacote de derrotas políticas. Tais iniciativas, embora mobilizem a base mais radical, não prosperaram no campo institucional.

No centro da disputa está a preservação de um capital político específico: a fatia do eleitorado mais radicalizada em torno da família Bolsonaro. Mesmo com Jair Bolsonaro condenado, inelegível por oito anos e responsabilizado pela tentativa de golpe de Estado — além de ter sido condenado a 27 anos pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado contra patrimônio da União, e deterioração de patrimônio tombado — o clã não abre mão de manter o controle sobre esse capital político e social. Eduardo é hoje o porta-voz dessa vertente.

A maior dificuldade está no futuro da direita pós-bolsonarista. O embate segue em aberto porque, até agora, nenhuma liderança fora do clã conseguiu se afirmar como alternativa. A insistência de Eduardo em não se calar, como desejam setores próximos à órbita familiar e o PL, reforça o dilema: manter a extrema-direita prisioneira de uma retórica radicalizada garante a fidelidade da base, mas limita sua capacidade de expansão para além dela. Ao mesmo tempo, o presidente Lula avança com força, e todas as pesquisas de opinião indicam que ele venceria qualquer candidato da oposição, sinalizando um ponto preocupante para a direita.

No horizonte imediato, o que se observa é a radicalização como estratégia de sobrevivência. A aposta é no confronto, não na construção de uma nova hegemonia. O impasse da extrema-direita, portanto, é duplo: acumula derrotas no campo institucional, mas ainda não vislumbra substitutos para o clã que concentra e monopoliza a identidade de seu eleitorado.

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