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Francisco Sales, promoções de carne e o silêncio sobre a fome no governo Bolsonaro

por | 11 set, 2025

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Reprodução

Ex-vereador e empresário bolsonarista, Francisco Sales Filho, sócio da rede Super Atacado, tem utilizado suas redes sociais para anunciar promoções de carnes com preços competitivos — em alguns casos, menores do que os praticados pelas grandes redes varejistas.

O discurso mercadológico, no entanto, contrasta com sua postura durante o governo de Jair Bolsonaro, período em que evitou esse tipo de propaganda, enquanto milhões de brasileiros recorriam a pés de galinha, ossos e vísceras para se alimentar diante da escalada da fome e da carestia.

Nos vídeos recentes, Sales chegou a destacar que um caminhão com carnes vindas da Bahia abasteceria sua rede, sem mencionar, contudo, o novo contexto social e econômico: o Brasil saiu novamente do mapa da fome, a renda dos assalariados apresentou crescimento real e os aposentados tiveram reajustes acima da inflação.

Em outra publicação, ao comentar as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o ex-vereador afirmou: “Essa briga de vaidade política, essa confusão entre Brasil e Estados Unidos… ninguém ganhará nada com isso. Pelo contrário, o povo brasileiro pode enfrentar uma crise ainda pior do que a da pandemia. Precisamos dar um basta nisso”.

O tom de aparente isenção funciona como artifício de comunicação para evitar desgastes com o bolsonarismo — uma tentativa de agradar simultaneamente à base bolsonarista e a setores críticos ao radicalismo político, esse foi o objetivo da sua fala.

O comportamento de Francisco Sales expõe uma contradição evidente: no período em que apoiava Bolsonaro, quando a fome voltou a assombrar milhões de brasileiros, manteve silêncio em relação aos preços dos alimentos e não usou suas plataformas para promover carnes “a preços acessíveis”. Agora, em um cenário de recuperação econômica e social, adota discurso comercial e político de “isentão”, sem reconhecer os avanços que permitiram a melhoria do poder de compra da população.

A narrativa que tenta se equilibrar entre propaganda empresarial e discurso político serve, na prática, para reforçar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista, ainda que sob o disfarce de neutralidade. A omissão de contexto e a falta de autocrítica marcam a estratégia: vender mais carne, sim, mas sem encarar de frente o debate sobre quem, de fato, garantiu que ela voltasse à mesa dos mais pobres.

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