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Marco da democracia: generais e almirante sentam no banco dos réus por tentativa de golpe 

por | 31 ago, 2025

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Reprodução

A história republicana do Brasil é marcada por avanços democráticos e, ao mesmo tempo, por frequentes ataques às instituições. No próximo dia 2 de setembro de 2025, o país viverá um momento inédito e histórico: o ex-presidente Jair Bolsonaro, principal responsável e comandante da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, será julgado pelo Supremo Tribunal Federal, junto com oficiais-generais de quatro estrelas — Walter Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira — e o almirante Almir Garnier Santos. Nesta primeira fase, serão julgados 35 réus.

Eles são acusados de planejar e participar da tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023, quando milhares de extremistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília — uma das ações que integraram o plano golpista. Entre os crimes que lhes são imputados estão: atentado violento e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e incitação ao crime, além do plano de assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

O dia 8 de janeiro foi escolhido pelos golpistas para tentar derrubar o presidente Lula, legitimamente eleito, configurando a mais grave tentativa de ruptura da ordem democrática desde o fim da ditadura militar em 1985.

O julgamento, que se inicia em 2 de setembro e deve se estender até o dia 12, terá impacto histórico. Pela primeira vez, chefes militares respondem criminalmente por ações contra a democracia. Nos próximos anos, estudantes das escolas públicas estudarão esses acontecimentos, assim como aprendem hoje sobre o golpe de 1964 e os 21 anos da ditadura militar.

A história também fará seu julgamento, e nenhuma ação contra a democracia ficará sem registro ou resposta. Quem atenta contra a ordem democrática não será absolvido nem pelo tempo nem pelo esquecimento. Os golpistas de 8 de janeiro terão dois julgamentos: um nos tribunais, com o rigor da lei, e outro diante da memória histórica, onde seus atos permanecerão como advertência às futuras gerações.

A República brasileira, proclamada em 15 de novembro de 1889, completa 136 anos em 2025. Durante esse período, ocorreram várias tentativas de golpe, além de quatro golpes consumados: a Proclamação da República (1889), a Revolução de 1930, o golpe civil-militar de 1964 e o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff em 2016.

O julgamento dos golpistas de 8 de janeiro demonstra que, mesmo diante de ataques à democracia, o Brasil possui mecanismos jurídicos e institucionais capazes de responsabilizar os envolvidos e preservar a ordem constitucional.

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