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Quarta-feira infame: Hugo Motta reedita o AI-5 caboclo

por | 10 dez, 2025

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Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Por Geraldo de Majella*

O episódio ocorrido ontem na Câmara dos Deputados expôs, diante das câmeras e da sociedade, a face autoritária do presidente da Casa, deputado Hugo Motta. Ao ordenar que a Polícia Legislativa expulsasse jornalistas do plenário e determinasse que a TV Câmara fosse tirada do ar, Motta ultrapassou todos os limites institucionais, evocando práticas que remetem aos momentos mais sombrios da história nacional.

O gesto não foi apenas uma demonstração de truculência. Foi um atentado direto à transparência, à liberdade de imprensa e ao princípio democrático que rege o Parlamento: o de que a Casa do Povo deve ser vista, fiscalizada e acompanhada pelo próprio povo. Quando se manda retirar jornalistas e interromper a transmissão pública de uma sessão, o que se deseja não é ordem, mas escuridão — não é diálogo, mas imposição.

A decisão de ordenar a retirada violenta do deputado Glauber Braga fecha esse ciclo autoritário. Divergências políticas fazem parte da vida parlamentar; violência, não. Um presidente da Câmara que recorre à força bruta para lidar com um parlamentar em pleno exercício de seu mandato demonstra fraqueza política, não força.

O comportamento de Hugo Motta revela que, por trás da pompa do cargo, há um político nanico, incapaz de compreender a grandeza que dele se espera como guardião do debate democrático. Em vez de mediar conflitos, exacerba tensões. Em vez de defender a liberdade, reprime. Em vez de fortalecer a instituição, apequena-a.

O que se viu foi uma reedição grotesca de práticas de exceção — um “AI-5 caboclo” encenado no coração do Legislativo. É inadmissível que, em pleno século XXI, a Câmara dos Deputados seja palco de gestos que violam frontalmente a Constituição e a memória daqueles que lutaram pela democracia.

O Brasil exige esclarecimentos, responsabilização e vigilância permanente. Porque cada vez que um representante do povo tenta calar vozes, expulsar a imprensa ou agir como senhor absoluto do plenário, não é apenas um deputado que está sob ataque. É a própria democracia.

*Historiador e jornalista.

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