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Sob risco de prisão, ex-presidente Bolsonaro adota tom moderado

por | 15 jun, 2025

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Foto: Tom Molina/STF

Uma nova fase do ex-presidente Jair Bolsonaro parece ter emergido nos últimos dias — mais silenciosa, cautelosa e, sobretudo, defensiva. A mudança de comportamento foi captada nos depoimentos prestados por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF) e analisada em reportagem da revista piauí, publicada nesta semana. Com o título “Contenção de danos”, a matéria retrata um Bolsonaro acuado, orientado por advogados e com receio evidente da possibilidade de prisão.

Segundo a reportagem assinada por José Roberto de Toledo, a diferença entre o tom altivo adotado nos palanques e a postura durante os interrogatórios foi gritante. O homem que ameaçava ministros do Supremo e desafiava o sistema eleitoral brasileiro, agora se vê pressionado a moderar o discurso e evitar contradições que possam incriminá-lo ainda mais.

O avanço das investigações sobre a tentativa de golpe de Estado em 2022 e o suposto envolvimento de Bolsonaro na elaboração de uma minuta de decreto para interferir no resultado das eleições impuseram ao ex-presidente um novo cálculo político: salvar-se. A estratégia, segundo a reportagem, tem sido orientada por uma equipe jurídica que tenta blindá-lo de uma eventual condenação criminal.

A piauí relembra que não é a primeira vez que se tentou “domar” Bolsonaro. Em 2018, o economista Paulo Guedes prometia à elite financeira que seria capaz de moderar o ex-capitão, então prestes a assumir a presidência. A promessa não se concretizou, e Guedes, como outros personagens do entorno bolsonarista – militares, o Centrão e tecnocratas – foi engolido pelo estilo autoritário e impulsivo do chefe do Executivo.

Agora, quem parece exercer esse papel moderador é o medo da cadeia. A revista destaca que a “fera” que até pouco tempo esbravejava em lives e comícios vem se comportando com discrição e evasivas nas oitivas conduzidas pelo ministro Alexandre de Moraes. A contenção de danos é visível e pragmática: dizer pouco, assumir quase nada e manter o silêncio sempre que possível.

A reportagem da piauí também traça paralelos com outros réus do chamado “núcleo duro” da tentativa de golpe, que optaram por discursos alinhados e, em alguns casos, até por admitir a existência de planos antidemocráticos. A mudança de comportamento não é uma confissão, mas um sinal claro de que o cerco se fechou.

A expectativa é que o julgamento do caso ocorra entre setembro e outubro deste ano. Até lá, Bolsonaro e seus aliados mais próximos devem continuar apostando em uma estratégia de recuo — um contraste marcante para quem fez da retórica agressiva sua principal arma política.

A matéria completa pode ser lida no site da revista piauí, neste link.

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