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Voto impresso é o retorno da fraude eleitoral e da instabilidade política

por | 29 maio, 2021

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Leonel Brizola

 

 

 

 

 

A liderança de Leonel Brizola exercida por tanto anos é inquestionável, como não se pode negar que foi um caudilho nacionalista. A defesa do Brasil e de sua riqueza, de políticas públicas como a educação é, entre outras, sua marca deixada como herança política.

Brizola tinha o entendimento da política e das organizações sociais como ação do líder, e não como um movimento coletivo em que os partidos políticos e as entidades da sociedade civil são construídas a partir da base.

A sua liderança política cresceu nos anos anteriores ao golpe militar com a radicalização nacionalista. A ditadura jogou-o no exílio por 14 anos que o amadureceram e o fizeram repensar muitas das suas teses. Passou a conviver com lideranças internacionais. No regresso ao Brasil, em 1979, com a anistia, tenta organizar o PTB; não consegue e funda o PDT com o seu ideário político.

A sua estatura moral e a força adquirida na luta política ampliaram ainda mais a sua imagem, o que facilitava fazer acordos com variados políticos de extração ideológica antagônica sem que sua imagem fosse maculada.

O PDT, há muito sem Brizola, ficou sob o domínio de Carlos Lupi e de um pequeno grupo que, de acordo com a necessidade, como agora, diz: “Nós, do PDT, através do nosso líder Leonel Brizola, fomos os primeiros a falar isso. E temos coragem de dizer a todo o povo brasileiro: sem a impressão do voto não há possibilidade de recontagem. Sem recontagem, a fraude impera”.

É a falta do que dizer ou a tentativa de agradar a setores da direita e da extrema direita que seguem Bolsonaro nesse tipo de argumentação. O voto em cédula é o voto onde as milícias tentam hoje fazer o que no passado faziam os coronéis e caudilhos: controlar e fraudar as eleições à luz do dia.

Brizola reagia à tentativa de fraude de que foi vítima nas eleições de 1982 para o governo do Rio de Janeiro. Naquela época, Brizola desmascarou a justiça eleitoral e a Rede Globo, que eram partes da fraude. A modernização do processo eleitoral com as urnas eletrônicas é o que de melhor poderia acontecer no Brasil. A esquerda venceu quatro eleições e nem os banqueiros contestaram os resultados. A ressalva que se pode fazer é ao candidato derrotado Aécio Neves, em 2014, que sob o argumento de que a confiabilidade da apuração e a infalibilidade da urna eletrônica têm sido questionadas pela população nas redes sociais justifica seu choro de golpista derrotado. O TSE não acatou essa lamúria.

A democracia brasileira avançou com as urnas eletrônicas e avançará ainda mais com a biometria. A memória de Leonel Brizola não merece ser atacada com tamanho anacronismo. Democracia é sinônimo de eleições livres e limpas, participação popular e partidos democráticos.

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