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Estudo revela custo elevado e precarização no trabalho de motoristas de app no Brasil

por | 29 jun, 2026

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Motoristas de aplicativo no Brasil enfrentam uma rotina marcada por altos custos operacionais, longas jornadas e baixa previsibilidade de renda. É o que aponta um levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgado na última segunda-feira (22), que detalha o impacto econômico da atividade exercida por mais de 1,7 milhão de brasileiros, segundo dados do IBGE de 2024.

O estudo, elaborado pelo Centro de Pesquisas Judiciárias, Estatística e Ciência de Dados do TST, calculou o custo mensal de um motorista que trabalha 22 dias por mês, oito horas diárias, em velocidade média de 25 km/h em ambiente urbano. O resultado indica gastos de R$ 5.566 para quem utiliza veículo próprio e R$ 5.706 para quem aluga o carro.

Entre os principais custos estão combustível (R$ 2.521), manutenção (R$ 820), depreciação do veículo (R$ 1.009), além de despesas com seguro, impostos, internet, alimentação e multas. Na avaliação do TST, o modelo de operação transfere ao trabalhador praticamente todos os custos da atividade.

O motorista Beto Skavinsky, de 64 anos, que atua desde 2017, resume a realidade da profissão. “É uma atividade bem brutal, não é algo que eu recomendaria para ninguém”, afirma. Ele conta que, mesmo com carro elétrico, ainda desembolsa cerca de R$ 4 mil por mês e consegue uma renda entre R$ 6 mil e R$ 7 mil, o que considera suficiente apenas para “sobreviver”.

Representantes da categoria reforçam que os custos reais podem ser ainda maiores do que os estimados. Para o líder de trabalhadores por aplicativo Abel Santos, as plataformas transferem o peso financeiro da operação para os motoristas. “As plataformas acharam o meio mais inteligente de ganhar dinheiro. Ela passa o custo todo para o trabalhador”, afirma.

Dados do relatório Fairwork Brasil 2025 indicam que 92% dos motoristas estão endividados. Já o TST aponta que as plataformas retêm entre 20% e 30% de cada corrida, percentual que, segundo lideranças, pode ser superior e sem transparência na composição.

A pesquisa também destaca a distância entre o discurso de autonomia e a prática. Segundo dados do IBGE, 91,2% dos motoristas afirmam não ter influência sobre o valor das corridas, e 76,7% dizem não poder escolher passageiros. A jornada média chega a 44,8 horas semanais.

Para o presidente do Sindimoto-RS, Valter Ferreira, o sistema cria um ambiente de controle algorítmico sem garantias trabalhistas. “Não existe autonomia pra nós, não existe liberdade”, afirma.

O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, também já classificou o modelo como marcado por “profunda precarização, jornadas extenuantes, baixas remunerações e alto controle por algoritmos, sem o reconhecimento de direitos trabalhistas”.

Outro ponto de atenção levantado no debate é o avanço do crédito consignado para trabalhadores de plataformas, que pode comprometer até 30% da renda. Para lideranças da categoria, o mecanismo tende a ampliar o endividamento e a dependência dos aplicativos.

Enquanto o debate sobre regulamentação segue em aberto no Congresso e em instâncias internacionais, trabalhadores relatam insegurança financeira e ausência de proteção social. No cotidiano, afirmam que a promessa de flexibilidade vem acompanhada de custos altos e renda instável.

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