Por Geraldo de Majella*
O vice-governador Ronaldo Lessa (PDT) vem se preparando para dois cenários relativamente confortáveis: o primeiro, assumir o governo na hipótese de o governador Paulo Dantas (MDB) se desincompatibilizar para disputar o mandato de deputado federal.
O segundo, o mais provável, é disputar uma das duas vagas para o Senado Federal, único cargo que Lessa ainda não ocupou. Integrado ao núcleo do governo, ele não tem sido ouvido sobre a conjuntura eleitoral — pelo menos até o momento, e o ano está fechando.
A posição do trabalhista é segura para se lançar candidato ao Senado da República por ser dirigente nacional do PDT; portanto, não corre o risco de perder a legenda e ter a candidatura abortada na largada, artifício comum na batalha eleitoral em Alagoas. O PDT integra a base do governo Lula.
As duas vagas em disputa têm pelo menos sete nomes especulados como candidatos ao Senado: Renan Calheiros (MDB), que busca a reeleição; Arthur Lira (PP), em campanha para o Senado; Ronaldo Lessa (PDT), que sinaliza possibilidade de candidatura; Alfredo Gaspar (União Brasil); Davi Filho (Republicanos); Paulão (PT), também desejam disputar o mandato; e JHC, uma incógnita — permanece em silêncio, mas tem o nome citado por aliados e pela mídia que o cerca.
Os políticos com vínculos históricos com o presidente Lula, como Renan Calheiros, Ronaldo Lessa e Paulão, estão em partidos diferentes, mas integram a base de apoio. Os demais transitam entre a extrema-direita e a direita.
O presidente Lula é, e os números demonstram, a maior força político-eleitoral no Nordeste, e em Alagoas não é diferente, sem desconhecer que, em Maceió, nas eleições de 2022, Bolsonaro teve a maioria dos votos, sendo derrotado no restante do estado.
A candidatura de Ronaldo Lessa tem condições e apelo entre os eleitores da classe média, dos funcionários públicos e dos trabalhadores urbanos e rurais. É um nome que não pode ou não deve ser subestimado, além do seu discurso mais à esquerda, que se identifica com o legado lulista presente no interior de Alagoas e na capital. Ronaldo Lessa é um dos poucos políticos que podem apresentar, numa campanha, realizações como prefeito de Maceió e governador em dois mandatos. Esse capital ele sabe usar — como fez nas últimas campanhas majoritárias em Maceió e em Alagoas.
A esquerda, em aliança com o centro, terá a opção de votar e disputar as duas vagas de senador. O Senado Federal será o palco da disputa contra a extrema-direita e a direita. As forças democráticas não podem se dispersar: a conjuntura que se desenha exige disposição de luta. Por isso, eleger a maioria dos senadores comprometidos com a democracia é a principal tarefa da esquerda e dos democratas no Brasil — e Alagoas não vai faltar ao país.
*Historiador e jornalista.







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