Por Geraldo de Majella*
Na linguagem dos economistas, ativo é tudo aquilo que tem valor, que gera retornos, que representa uma vantagem estratégica. O Brasil, país de vastas riquezas naturais e culturais, sempre teve ativos imateriais que nos projetaram para o mundo: Pelé, com sua arte nos pés, tornou-se o nome mais associado ao futebol em todo o planeta; Jorge Amado deu às letras brasileiras uma força narrativa profundamente popular e politicamente enraizada; Paulo Coelho, com seus romances de autoconhecimento e espiritualidade, conquistou leitores em dezenas de países e idiomas, tornando-se um dos escritores brasileiros mais traduzidos e lidos no mundo. Cada um deles, à sua maneira, levou o nome do Brasil a ser pronunciado com encanto — e respeito — além de nossas fronteiras.
Luiz Inácio Lula da Silva é, nesse sentido, um ativo de natureza política e simbólica — o maior que o país produziu em sua história. Com uma trajetória que liga as entranhas da pobreza nordestina ao centro decisório do poder global, Lula encarna não apenas a superação individual, mas também uma visão de país que se recusa à resignação diante da desigualdade.
Não é coincidência que o nome de Lula continue a ser conhecido e reconhecido mundialmente mesmo após três mandatos presidenciais, prisões, absolvições e campanhas polarizadas. Em encontros internacionais, sua presença provoca disputas de protagonismo entre potências. Seus discursos são esperados, ouvidos, criticados, traduzidos, reverberados. Quando o Brasil esteve ausente ou fragilizado em cúpulas do clima, fóruns comerciais ou assembleias multilaterais, a falta que se sentia era também a falta de Lula.
Sua força está não apenas na trajetória pessoal – embora ela, por si, seja comovente – mas no que simboliza: um país do Sul global que ousa pensar grande, que tenta equilibrar crescimento e inclusão, que busca dialogar com todos sem se ajoelhar diante de ninguém.
Como Pelé, Jorge Amado ou Paulo Coelho, Lula não é unanimidade — e nunca foi. Mas sua presença gera impacto, emoções, repercussão. Ele é tema de livros, filmes, reportagens e debates. Suas escolhas políticas influenciam mercados, reorientam relações diplomáticas, reacendem paixões. Há quem o ame e quem o rejeite, mas ninguém o ignora. Isso é típico dos grandes ativos simbólicos: eles movem placas tectônicas da cultura e da política, geram valor muito além do curto prazo.
Em tempos de instabilidade democrática, de ascenso autoritário e de crise ambiental global, o Brasil precisa mais do que nunca preservar e cuidar de seus ativos. E isso significa também reconhecer o lugar que Lula ocupa: não como salvador da pátria, mas como embaixador involuntário da esperança, da complexidade e da resiliência de um país que, apesar de tudo, ainda quer dar certo.
Se Pelé mostrou ao mundo que se pode jogar futebol bonito e com elegância; Jorge Amado, que se pode escrever com gosto de dendê; Paulo Coelho, que se pode sonhar com simplicidade — Lula mostra que se pode, e se deve, governar com o povo no coração. Isso, para qualquer nação, é um valor incalculável.
*Historiador e jornalista






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