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Mauro Cid entrega Bolsonaro: “Ele aprovou decreto do golpe”

por | 9 jun, 2025

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Reprodução

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, prestou novo depoimento ao Supremo Tribunal Federal no dia 9 de junho de 2025, no âmbito do inquérito sobre tentativa de golpe de Estado. A delação, agora homologada, lança luz sobre a atuação direta do ex-presidente e do general Walter Braga Netto na articulação de uma ruptura institucional.

Segundo Cid, Bolsonaro recebeu, leu, editou e aprovou uma minuta de decreto com objetivos golpistas: prisão de adversários políticos, como o ministro Alexandre de Moraes, e convocação de novas eleições. O texto, elaborado por aliados civis e militares, circulou no Palácio da Alvorada nas semanas seguintes à derrota eleitoral de 2022.

O delator revelou ainda que o general Braga Netto, então um dos principais nomes da campanha bolsonarista e interlocutor com as Forças Armadas, mantinha Bolsonaro informado sobre os acampamentos golpistas em frente aos quartéis. Mais grave: teria sido Braga Netto o responsável por viabilizar a entrega de dinheiro em espécie, acondicionado em caixa de vinho, destinado ao financiamento dessas mobilizações — dinheiro que foi repassado a Mauro Cid por um militar da ativa.

O depoimento indica que Bolsonaro não apenas tolerou a movimentação golpista, mas comandou ativamente uma tentativa de subversão da ordem constitucional. Cid também relatou que Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para divulgar relatórios duvidosos sobre a integridade das urnas eletrônicas.

Essas declarações reforçam a tese de que o entorno presidencial planejou e estruturou ações para impedir a posse de Lula. O relato de Mauro Cid, longe de ser um ato isolado, integra um conjunto de provas já em análise pelo STF e pela Polícia Federal.

Um cerco que se fecha

O envolvimento direto de Bolsonaro e Braga Netto — ambos generais da reserva — mostra que o plano golpista não foi produto de fanáticos de base, mas partiu do núcleo duro do poder político e militar do bolsonarismo. Cid compromete seus ex-chefes ao expor ações deliberadas, com datas, nomes e detalhes logísticos.

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