quarta-feira, 15 julho 2026
Nuvens dispersas
Maceió
25°C
Nuvens dispersas
Nuvens dispersas
Maceió
25°C
Nuvens dispersas

O valor político do PED e a democracia interna no PT

por | 11 jun, 2025

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Por Geraldo de Majella*

Em tempos de descrédito das instituições partidárias e de crescente apatia eleitoral, o Partido dos Trabalhadores (PT) realiza, mais uma vez, seu Processo de Eleições Diretas (PED), mecanismo pelo qual seus filiados e filiadas, de base a direção nacional, escolhem democraticamente os rumos da legenda. Em um país onde a maioria dos partidos é marcada por estruturas centralizadas e decisões de cúpula, o PED representa uma prática rara: a oxigenação interna por meio do voto direto de seus militantes.

Mais do que uma formalidade estatutária, o PED movimenta núcleos de base, ativa as correntes internas e obriga o partido a olhar para dentro de si, debater propostas e renovar lideranças. É um exercício que traz conflitos e dissensos, mas que também confere legitimidade e vitalidade política ao PT. São esses processos que ajudam a explicar por que o partido, mesmo após quatro décadas de ataques, resistências e contradições, continua sendo um dos maiores e mais estruturados do país.

Entre os mais de trinta partidos com registro nacional, o PT é o único que sustenta uma tradição de debate interno com expressão pública, onde as disputas de linha política, embora por vezes desgastantes, revelam o partido como organismo vivo e enraizado na sociedade. Com perdas e ganhos, essa é uma forma de fazer política que não se resume à disputa eleitoral, mas atravessa a formação, a crítica e a organização coletiva.

Para quem não é filiado, como é o meu caso, o PDE pode parecer um evento fechado. Mas ele se impõe, ainda assim, como um movimento que interessa a todos os que acompanham e participam do campo democrático-popular. Como eleitor, simpatizante ou observador atento, compreendo que a escolha das direções partidárias tem efeitos diretos sobre a qualidade das propostas, da gestão pública e do próprio debate político nacional.

O PT, vale lembrar, não é – e felizmente nunca foi – a única organização partidária de esquerda no Brasil. Mas é o maior partido de sua tradição, e suas definições internas influenciam o conjunto da esquerda brasileira. É legítimo, portanto, que milhares de militantes e simpatizantes acompanhem com atenção os rumos que o partido toma, inclusive criticando promessas não cumpridas e cobrando coerência entre o projeto de país apresentado ao povo e as práticas adotadas no governo.

Em Alagoas, por exemplo, há lideranças que se colocam como alternativas para renovar e fortalecer a estrutura do partido. Se eu fosse eleitor do PT, não hesitaria em votar em Alê Costa para a presidência do diretório municipal de Maceió e em Ronaldo Medeiros para o diretório estadual. Ambos representam, a seu modo, compromissos com o debate democrático, a defesa de políticas públicas inclusivas e a necessidade de enraizar o partido junto às lutas do povo alagoano.

O PED é, portanto, mais do que uma eleição interna: é um exercício de política viva, que resgata a ideia de que partidos devem ter lado, base social e projeto histórico. Em tempos de pragmatismo excessivo, essa fidelidade a uma prática democrática interna é, por si só, uma atitude revolucionária.

*Historiador e jornalista

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *