Por Geraldo de Majella*
O prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos), foi deputado estadual e senador. Após seis anos no Senado, renunciou ao mandato para assumir o cargo de vice-prefeito. Com sua saída, a primeira suplente, Eudócia Caldas — mãe do então prefeito João Henrique Caldas (JHC) — assumiu a vaga.
A trajetória política de Rodrigo Cunha ganhou projeção durante os governos de Teotônio Vilela Filho, fundador nacional do PSDB. Ainda jovem, comandou o Procon de Alagoas, função que lhe deu visibilidade pública. Filho de uma deputada federal covardemente assassinada, construiu sua primeira vitória eleitoral para deputado estadual com apoio da estrutura tucana.
Eleito senador com votação expressiva, teve um desempenho parlamentar considerado abaixo das expectativas. Mais tarde, deixou o Senado para assumir a vice-prefeitura em uma articulação política nunca explicada de forma clara.
Sentado na cadeira de prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha, em 54 dias — entre 4 de abril e 28 de maio — ainda não conseguiu se afirmar como titular do cargo. O passivo deixado por JHC tem pesado sobre a administração municipal.
O atraso nos repasses para as empresas responsáveis pela coleta de lixo já produz consequências imediatas: toneladas de resíduos acumulados em praças, ruas e terrenos baldios, além de atrasos no pagamento dos trabalhadores da limpeza urbana.
Também cresceram os atrasos nos pagamentos das empresas responsáveis pelo transporte de crianças especiais para os centros de terapia.
Acumulam-se problemas em dezenas de obras essenciais, como reformas de escolas paralisadas há mais de quatro anos, apontadas em fiscalizações dos Ministérios Públicos e das Defensorias Estadual e da União. Somam-se a esse cenário equipamentos públicos inaugurados sem profissionais suficientes para assegurar o funcionamento adequado dos serviços oferecidos à população.
Outro tema cercado de silêncio, desde a gestão JHC, envolve as operações financeiras do Iprev com os bancos Master e Daycoval. Ao todo, R$ 168 milhões dos recursos da previdência municipal foram aplicados nas duas instituições — R$ 117 milhões no Banco Master e R$ 51 milhões no Daycoval. Trata-se de recursos dos aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió.
Esse é o cenário em que Rodrigo Cunha está enredado e do qual precisará se desvencilhar, caso queira construir uma identidade própria à frente da Prefeitura de Maceió e apresentar uma perspectiva de superação do caos administrativo herdado de JHC. De orientação liberal, Cunha tende a manter a linha de gestão do antecessor, marcada pela redução do papel do Estado e das políticas públicas voltadas ao bem-estar da população. Se preservar esse receituário, poderá aprofundar ainda mais a crise social da cidade.
*Historiador e jornalista







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