O defensor público estadual Ricardo Melro trouxe à tona imagens e informações que comprovam que o prefeito João Henrique Caldas, o JHC, participou de encontros oficiais com pesquisadores internacionais que hoje questionam a metodologia adotada pela Prefeitura para monitorar o afundamento dos cinco bairros de Maceió. O silêncio do prefeito sobre o tema é político, diante das relações entre a Prefeitura e a mineradora. JHC optou por não contratar os pesquisadores.
O defensor público divulgou nas redes sociais fotografias e relatos que colocam o prefeito de Maceió no centro do debate sobre o desastre provocado pela mineração de sal-gema da Braskem. As imagens mostram o prefeito ao lado de pesquisadores internacionais tanto em Maceió quanto na Alemanha.
Melro destaca ainda que esses pesquisadores — o professor Mahdi Motagh, do GFZ – Helmholtz Centre Potsdam e da Leibniz University Hannover, e a professora Magdalena Vassileva, PhD — estiveram em Maceió entre 2022 e 2023 a convite do próprio Município, que custou transporte e estadia do professor Mahdi.
Na visita, eles se reuniram com o coordenador da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre, com Paulo Falcão, da Defesa Civil Nacional, e com o prefeito JHC. Em seguida, participaram de novos encontros com a comitiva oficial da Prefeitura na Alemanha.
Para Melro, todos esses registros demonstram que o Município buscou ativamente a expertise dos dois especialistas — exatamente os mesmos que agora assinam o Relatório Independente apontando falhas técnicas e necessidade de aprimoramento das análises feitas pela Prefeitura nos bairros atingidos.
A postagem do defensor questiona a tentativa de esvaziar ou relativizar as conclusões do relatório:
“Agora que o professor Mahdi e a professora Magdalena contribuíram para um relatório técnico independente, apontando necessidade de aprimoramentos, o Município pretende negar o conteúdo e se recusar a aprimorar sua metodologia?”, disse o defensor.
Melro também divulgou trechos de uma reunião realizada na última quarta-feira, na qual técnicos da Defesa Civil Municipal e representantes da Braskem admitiram, em gravação, que o critério de 5 mm/ano usado como parâmetro de risco não possui validação científica. De acordo com a Defesa Civil Nacional, o valor poderia ser “2, 3 ou 5 mm”, porque não há métrica consolidada — revelando que o parâmetro é arbitrário.
No mesmo encontro, técnicos presentes reconheceram o nexo causal entre a subsidência, o movimento dos Flexais e a atividade de mineração de sal-gema, confirmando oficialmente a origem do colapso urbano que devastou cinco bairros de Maceió.
Para o defensor, diante da gravidade dos fatos, o esperado das instituições é “humildade institucional e abertura ao diálogo científico”, com foco exclusivo no bem-estar da população afetada. “Não é hora de blindar, mas de unir esforços e corrigir a metodologia”, afirma.
Enquanto especialistas e órgãos de controle expõem inconsistências e cobram ajustes, o prefeito JHC e o coordenador da Defesa Civil Municipal, Abelardo Nobre, seguem em silêncio — o que amplia a pressão por um posicionamento claro diante do maior crime socioambiental urbano em curso no país.







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