segunda-feira 15 de julho de 2024

Cretaceous Park?

27 de junho de 2023 12:10 por Vanderlei Tenório

Embora o título do filme “Jurassic Park” faça uma referência direta ao período Jurássico, que ocorreu entre 205 e 142 milhões de anos atrás, a maioria dos dinossauros que aparecem nele pertence ao período Cretáceo, que ocorreu de 145 milhões a 65 milhões de anos atrás.

Mesmo que tenha havido um erro cronológico em uma das falas iniciais do Dr. Alan Grant, interpretado por Sam Neill, os roteiristas reconheceram o erro. Eles afirmaram que a maioria dos espectadores não saberia a diferença entre os períodos Jurássico e Cretáceo, mas reconheceram a importância de se manter a precisão histórica em obras de ficção científica.

 

 

Por conseguinte, no início do primeiro filme da série “Jurassic Park”, há uma cena que se passa em um acampamento de escavações em um deserto de Montana, nos Estados Unidos, entre os minutos 07:46 e 09:00. Nessa cena, o personagem Dr. Alan Grant declama um monólogo científico para um garoto descrente da existência de dinossauros. Na breve declamação, o Dr. Grant enfatiza a veracidade e a genialidade da existência do Velociraptor e pede para o garoto se imaginar no período Cretáceo.

 

“Tente se imaginar no período Cretáceo…”

 

O período Cretáceo é um dos três períodos geológicos da era Mesozoica, que ocorreu há cerca de 145 milhões a 65 milhões de anos atrás. Durante este período, muitos dinossauros se desenvolveram e evoluíram, incluindo o famoso Velociraptor. O Dr. Grant usa essa referência para encorajar o garoto a imaginar a realidade desses animais pré-históricos e acreditar em sua existência.

 

 

Nesse quadro, a dúvida sobre se os dinossauros só existiram no período Jurássico pode parecer fechada, mas a resposta é um sonoro não! Os dinossauros não se limitaram apenas a esse período, que corresponde ao segundo período da Era Mesozoica, entre 205 e 142 milhões de anos atrás.

A Terra passou por inúmeras mudanças geológicas ao longo de sua história, afetando tanto sua estrutura quanto a vida que a ocupava. Essas mudanças ocorreram durante milhares e milhões de anos, o que resultou em uma ampla diversidade de dinossauros em diferentes eras geológicas. Portanto, afirmar que os dinossauros só existiram no período Jurássico é uma afirmação completamente equivocada.

Logo, atualmente, há um consenso razoável de que os dinossauros surgiram no início do período Triássico e atingiram seu ápice de existência no período Jurássico, sendo extintos no início do período Cretáceo. No entanto, a causa da extinção dos dinossauros e de quase toda forma de vida no planeta é um tema que ainda gera debate entre cientistas. A descoberta de uma cratera gigantesca na Península de Yucatán, no México, no início dos anos 1990, levou muitos cientistas a afirmarem que o choque de um asteroide com a Terra, há 66 milhões de anos, foi a causa da extinção dos dinossauros.

Contudo, outros estudiosos têm questionado essa teoria amplamente aceita da “morte súbita por asteroide. Esse grupo argumenta que erupções vulcânicas massivas, que podem ter liberado gases capazes de mudar o clima numa região do tamanho da Espanha, conhecida como Basaltos de Decão, podem ter tido um papel significativo na devastação da vida na Terra. Apesar de ainda não haver um consenso definitivo, essas teorias nos fornecem informações valiosas sobre a história do nosso planeta e a forma como eventos catastróficos podem afetar a vida na Terra.

 

 

Nesse ínterim, a trilogia cinematográfica Jurassic Park, lançada entre 1993 e 2001, é conhecida por trazer os dinossauros à vida nas telonas com uma perfeição nunca antes vista. Embora a franquia seja a mais famosa representação cinematográfica dessas criaturas milenares, é importante analisar os períodos em que as espécies retratadas nos filmes habitaram.

Detalhando melhor, durante o período Jurássico, por exemplo, existiram dinossauros como o Brachiosaurus, o Dilophosaurus, o Stegosaurus, o Compsognathus e o Ceratosaurus. Já durante o período Cretáceo, houve espécies como o Tyrannosaurus, o Triceratops, o Velociraptor, o Parasaurolophus, o Corythosaurus, o Baryonyx e o Ankylosaurus. Nesse sentido, embora a franquia seja intitulada Jurassic Park, matematicamente, o primeiro filme tem um maior número de espécies do Cretáceo do que do Jurássico, o que traz uma ironia ao nome da franquia.

Por conseguinte, podemos identificar alguns fatos curiosos na franquia Jurassic Park, um deles sendo que a maioria dos dinossauros deveria ter penas em seus corpos, incluindo o Tiranossauro rex. Xing Xu, um paleontólogo chinês que nomeou mais dinossauros do que qualquer outro paleontólogo vivo, descobriu através de fósseis bem preservados que a maioria das espécies de dinossauros possuía penas. Ele liderou um grupo de cientistas que analisou uma série de fósseis de aves primitivas com mais de 100 milhões de anos e constatou que algumas espécies tinham quatro asas, com penas nos membros traseiros que poderiam ser utilizadas para voar.

A pesquisa concluiu que o processo evolutivo levou os pares de asas traseiras a se tornarem patas, com penas cada vez menores ao longo do tempo. Um estudo semelhante realizado pela revista Science chegou à conclusão de que 11 fósseis de pássaros primitivos apresentavam evidências notáveis de grandes penas nos membros traseiros, que compunham um sistema de quatro asas.

Curiosamente, a franquia Jurassic Park não retratou os dinossauros com penas em seus efeitos especiais, apesar de ser um marco na indústria de efeitos especiais. O personagem Dr. Grant menciona esse fato em detalhes em um exemplo com um fóssil de Velociraptor entre os minutos 7:18 e 7:33 do filme 1.

À vista disso, o sucesso meteórico de bilheteria do primeiro filme da franquia “Jurassic Park”, que arrecadou US$1.029.153.882, pode ser atribuído à construção virtual dos dinossauros que contracenaram com o elenco de carne e osso. Esse sucesso demonstrou nosso fascínio por essas criaturas pré-históricas enigmáticas e peculiares, que sempre instigaram nossa imaginação desde a infância.

Ademais, um fato curioso sobre o filme é que a afirmação do Dr. Alan Grant, que diz para a neta de John Hammond “Não se mexa! Ele não pode nos ver se nós não nos mexermos”, está incorreta em relação ao Tiranossauro rex (Tyrannosaurus). O Tiranossauro rex (Tyrannosaurus) conseguia ver mesmo que o alvo não estivesse se movendo, e há evidências de que ele tinha uma visão excelente, provavelmente melhor que a das águias e gaviões atuais.

 

 

Além disso, o Tiranossauro rex (Tyrannosaurus) também tinha ótimos sentidos de olfato e audição, indicando que permanecer imóvel diante dele como mostrado no filme não seria uma estratégia eficaz para despistá-lo. A velocidade dos tiranossauros é um ponto de controvérsia entre os cientistas, mas muitos acreditam que a velocidade máxima dos tiranossauros ficava entre 27 e 40 quilômetros por hora, o que pode tornar algumas cenas do filme menos dramáticas.

O filme também apresenta uma representação imprecisa dos Braquiossauros. Nesse aspecto, Mateus Marchetto, no artigo “Os dinossauros mais famosos a caminharem pela Terra”da seção “Planeta Terra” do site So Cientifica, observa que ao mostrar um braquiossauro adulto levantando-se sobre as patas traseiras para alcançar folhas de uma árvore, o primeiro filme da franquia omite o fato de que esses dinossauros eram simplesmente muito pesados para realizar tal ação. Além disso, os braquiossauros possuíam patas dianteiras mais longas, o que lhes permitia alcançar galhos mais altos das árvores.

 

 

Para finalizar o artigo, gostaria de comentar sobre a clonagem e recriação de espécies de dinossauros através da engenharia genética usada no argumento dos filmes. A ideia de clonar e recriar espécies de dinossauros através da engenharia genética, como apresentada no filme “Jurassic Park”, é impossível de ser realizada na realidade.

No filme, os cientistas da empresa InGen coletavam o DNA de animais extintos por meio da coleta do sangue existente dentro de mosquitos presos em âmbar há milhões de anos. A partir desse material genético, os dinossauros eram clonados e colocados em um parque temático. Conquanto, estudos recentes demonstram que o DNA degrada-se facilmente no ambiente, e mesmo em condições ideais, nenhum DNA sobreviveria a mais de 6,8 milhões de anos, o que torna essa ideia impossível de ser concretizada.

No entanto, algumas pesquisas recentes têm tentado reverter geneticamente as aves para terem algumas características de seus ancestrais, que são dinossauros. Apesar disso, essas aves nunca serão completamente semelhantes a qualquer espécie de dinossauro que já existiu.

 

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