terça-feira, 13 outubro 2026
Nublado
Maceió
28°C
Nublado
Nublado
Maceió
28°C
Nublado

Sem planejamento, recursos da Braskem são acordo da guilhotina com o pescoço

por | 26 jul, 2023

ESPALHE A NOTÍCIA
Link copiado para o Instagram!

Foto: Junior Bertoldo/Secom Maceió

Maceió é a cidade mais importante de Alagoas sob vários aspectos: é a mais populosa, é polo comercial, turístico, econômico, é o polo de saúde com hospitais, clínicas, sedia os campi das duas principais universidade públicas – a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Estadual de Ciências da Saúde (Uncisal) –, o Instituto Federal (Ifal), o Porto de Jaraguá, além de ser a capital.

A decadência a que a cidade vem sendo submetida nos últimos anos impressiona. Os fatores vão desde a crise econômica e social até a falta de projetos estruturantes. Não é novidade que Maceió tem renunciado ao planejamento. A Secretaria de Planejamento foi extinta, quase uma centena de técnicos se aposentaram e não houve concurso para substituir o principal capital que a cidade dispunha no serviço público.

A Secretaria de Planejamento é uma subsecretaria sem capacidade de pensar a cidade nas várias dimensões. Entraram em ação consultores, lobistas, funcionários (alguns) que trabalham para empresas privadas e decidem ou encaminham projetos do interesse da iniciativa privada em detrimento dos interesses coletivos da cidade e da prefeitura.

As tragédias se sucedem em Maceió. A Braskem tem anos de experiência e convivência com agentes públicos e sabe como agir, por isso, tem atuado com firmeza impondo derrotas fragorosas à cidade, à população – em particular as vítimas dos crimes praticados conscientemente – e ao Município.

O improviso é a regra na administração pública. No momento em que for liberado o dinheiro acordado entre Braskem, MPF, MPE e Prefeitura de Maceió, como não há indicativo ou vestígio de planejamento, esse recurso tem chance de ser pulverizado em obras pouco significativas.

Essa é uma tendência quase inevitável. O planejamento de Maceió tem sido realizado pelas construtoras e/ou mercado imobiliário.

Acordo entre a guilhotina e o pescoço

O acordo realizado entre a Braskem e os ministérios públicos é uma evidência de que o domínio é quase absoluto. As vítimas, 60 mil pessoas, ao serem surpreendidas pela nota lacônica da Braskem, de que a Prefeitura de Maceió receberá 1,7 bilhão pelos danos causados pelos crimes que afundaram cinco bairros, sofrem mais um abuso.

Os ministérios públicos Federal e Estadual têm o dever de defender a população, a cidadania como define a Constituição federal. E quando o MP renuncia à condição de defender as vítimas? O polo mais fraco são 60 mil pessoas. Qual a justificativa plausível?

Não é exagero afirmar que esse acordo é simbolicamente feito entre a guilhotina e o pescoço. Sendo a guilhotina representada pela Braskem e o pescoço pelas 60 mil vítimas e a cidade de Maceió com seus quase 1 milhão de habitantes.

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *