sábado 5 de abril de 2025

Bandos só existem em Anadia

14 de julho de 2020 11:45 por Geraldo de Majella

Grupo de Mascarados

O pesquisador Luís da Câmara Cascudo no consagrado, Dicionário do Folclore Brasileiro (Global, 1999), diz que Bandos, em Alagoas: “São grupos mascarados, uns a cavalo, outros a pé, que fazem corridas pelo povoado anunciando com antecedência a festa de Santa Luzia. O grupo corre e participa da procissão, convocando o povo a comparecer à festa”. É provável que as informações sobre a folgança alagoana tenha sido enviadas por um dos seus amigos e colaboradores: Manuel Diégues Júnior, Théo Brandão ou Aluísio Vilela, é uma suposição; a primeira edição do dicionário é de 1954.

O Bandos é descrito pelo pesquisador e professor José Maria Tenório Rocha com mais detalhes: “enquanto corre e dança, uma banda de Esquenta Mulher (banda de pífanos) permanece todo o tempo tocando. Mas, após as corridas e danças o grupo participa da Procissão do Mastro. Depois, finca o mastro em frente à igreja e um dos mascarados lê “os papeis”, espécie de editais de convocação, conclamando o povo a participar da festa”. Essa descrição se encontra no livro: Folguedos e Danças de Alagoas (Maceió – 1984).

Bandos é uma festa de origem portuguesa que só existe em Anadia – um sinal de resistência ter sobrevivido mais de um século -, mas não é uma festa onde tenha o envolvimento de todo o município  na organização. A festa acontece apenas no povoado Tapera, localizado entre Anadia e Maribondo. A brincadeira conta com a participação de cerca de trinta e cinco a quarenta pessoas mascaradas que correm pelas ruas e becos do povoado convidando a população, com  antecedência de quinze dias da data programada. O festejo é realizado na praça central onde foi construída a igreja e cuja padroeira é Santa Luzia.

A população se concentra para o acontecimento na porta da igreja e dois mascarados; um toca o sino e o outro lê os editais ou “papeis”, é o sinal para que a população presente se aproxime, ainda, mais da igreja.

A festa, além das brincadeiras nas ruas, tem a missa e o encerramento é feito com a procissão, onde a imagem de Santa Luzia é levada em charola pela população, pelas ruas do povoado Tapera, no dia 13 de dezembro.

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2 Comentários

  • É assim que essas tradições permanecem vivas! Parabéns

  • Matéria muito boa. Tenho feito pesquisas sobre a história de Anadia, seria um prazer debater sobre algumas referências. Gostaria de entrar em contato com o editor da matéria, Marcos Berillo, deixo meu e-mail para contato alvim.neto@hotmail.com. Agradeço a atenção e a matéria.

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