17 de junho de 2022 9:32 por Marcos Berillo

Lula e Alckmin foram recebidos em Maceió com euforia pela multidão que lotou o Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso na noite dessa sexta-feira, 17. O ex-presidente foi saudado com o Hino Nacional executado por artistas locais, com quem teve um encontro à tarde, em um hotel na orla marítima da capital.
Aos 76 anos, recém-casado com a socióloga Rosângela da Silva, a “Janja”, Lula disse aos alagoanos que um homem de 76 anos, que acabou de subir ao altar com uma mulher vestida de noiva, não quer brincadeira nem com a esposa e nem com o povo brasileiro.
A fala foi a deixa para uma proposta simbólica: “eu quero aqui propor um casamento coletivo com o povo brasileiro, para mudar a história do povo brasileiro, mudar a história desse país”.

“Menos ódio e mentiras”
Mais amor e menos ódio e mentiras. Essa foi a marca do discurso de Lula, que fez um balanço positivo de seus governos e ironizou o presidente Jair Bolsonaro que, em recente encontro com o presidente estadunidense, Joe Biden, pediu ajuda para vencer o petista na próxima eleição. “Pode juntar o Trump e quem ele quiser, que, do jeito que nós estamos, vamos vencer”, declarou o petista.
Sobre as ameaças de golpe de estado, Lula comentou com bom humor as declarações de Bolsonaro de que não entregaria a faixa ao sucessor. “Não queremos que ele passe, a gente vai tomar aquela faixa democraticamente. A vontade do povo brasileiro é maior do que a vontade de quem está ao lado dele. Bolsonaro tem que aprender a perder”, destacou.
As privatizações, o caos social e a política de preços da Petrobras não escaparam da fala de Lula, que se diz mais motivado para governar. “Quero voltar [a ser presidente]porque tenho certeza absoluta de que, em quatro anos, a gente vai fazer o povo brasileiro ser feliz outra vez, a economia voltar a crescer, gerar emprego formal de carteira assinada, com férias, descanso semanal remunerado e segurança social, que é o que falta nesse país. O povo brasileiro não precisa ficar no açougue esperando osso ou comendo carcaça de frango”, frisou.
Lula concluiu fazendo um alerta para que os eleitores não caiam em fake news e não se deixem contaminar pelo ódio na hora de escolher seus candidatos.
“Bozo tirou o Brasil do mapa do mundo”, diz Alckmin
O evento reuniu simpatizantes do pré-candidato, lideranças de movimentos sociais, além de aliados políticos de partidos como o MDB, PV, PCdoB, PSB, PT, o governador Paulo Dantas e o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Victor.

O vice Geraldo Alckmin disse que eleição é comparação. “O Lula tirou o Brasil do mapa da fome. O Bozo tirou o Brasil do mapa do mundo e, infelizmente, colocou o Brasil no mapa da fome. O Brasil tem pressa e vamos trabalhar para o senhor voltar o mais rápido possível para salvar a democracia, para o país voltar a crescer”, finalizou.
Renan Calheiros não poupa críticas a Bolsonaro
Um dos discursos mais inflamados da noite foi o do senador Renan Calheiros (MDB), relator da CPI da Covid e presidente do Congresso Nacional durante as gestões petistas. Foram duras críticas ao governo Bolsonaro e ao grupo político da oposição, ligado ao deputado federal Arthur Lira (PP), contra quem disputará o governo de Alagoas.
“Os alagoanos terão uma dupla missão nas eleições de outubro. Preservar as mudanças, avanços e transformações do governo Renan Filho, na defesa do legado que foi atribuída ao jovem governador Paulo Dantas, eleito com grade maioria pela Assembleia Legislativa. No campo nacional, ajudar na mobilização democrática e criar condições para que esse estado de coisas não domine o Brasil”, afirmou.

Calheiros acusou ainda os adversários de deturparem conceitos. “Agora, chega essa gente em Alagoas, falando em liberdade para tramar a ditadura. Exatamente em Alagoas, terra de Zumbi dos Palmares, Ganga Zumba, Dandara… essa gente não sabe que foi aqui que começou a luta pela libertação do povo brasileiro”, disse.
“Bolsonaro precisa dobrar a língua, deixar de mentir. Essa eleição é muito importante porque não vão ser duas propostas de governo. Os eleitores vãos decidir entre o desconhecimento e a ciência, o negacionismo e a ciência. Entre a verdade e a mentira, o bem e o mal e entre a democracia entre os pendantes tirânicos e autocráticos de Jair Bolsonaro”, disse.
Renan Filho elogia “união de divergentes”
Pré-candidato ao Senado por Alagoas, o ex-governador Renan Filho elogiou a união de Lula e Alckmin, que junta os divergentes contra o “antagonismo” e que, em outubro, vai “mandar Jair Bolsonaro de volta para casa”. “Ninguém aguenta mais [o governo Bolsonaro], o senhor é a esperança”, disse ele para Lula.
“Ele é doido”, diz Gleise Hoffman sobre Bolsonaro
A presidente do PT, Gleise Hoffman, afirmou em Maceió que a candidatura de Lula une sete partidos, centrais sindicais e movimentos progressistas que acreditam “fazerem a diferença” na luta contra o que chama de “barbárie e retrocesso”.
Hoffman chamou Bolsonaro de “fake news”, de “vagal” e de “doido” que não sabe o que fala. “Ele não poderia estar sentado na cadeira da Presidência da República. Compactua com o crime, com o que há de errado. Disse que Jesus compraria uma arma. Incentiva o crime na Amazônia, o genocídio indígena. Tem as mãos sujas do sangue do Dom e do Bruno. Ele não pode continuar. É por isso que estamos aqui. Ele diz que vai dar golpe, mas, quem vai dar um xeque-mate é o povo”, disse.

Paulão
O deputado federal Paulão (PT) iniciou o discurso com elogios ao vice de Lula, Geraldo Alckmin, que “entendeu a importância dessa unidade pela democracia, pelo estado democrático de direito”.
Para ele, a militância e o eleitorado entendem uma palavra chamada “gratidão” porque sabe o “que Lula fez pelo Brasil, colocou a agenda do pobre na política, tirou 30 milhões da linha pobreza e esse pária internacional os colocou de volta na miséria, incluindo na mesa do pobre, como proteína, ossos, pé e cabeça de galinha”.
Paulão denunciou a Braskem, “pelo maior crime ambiental urbano do mundo, que colocou mais de 60 mil pessoas na rua, colocando os bairros de Maceió em ‘verdadeiro estado de guerra’”. O deputado federal disse ainda que é preciso dar ao petista maioria no Congresso, ampliando o suporte ao futuro governo, desmontando esquemas como o orçamento secreto, que inviabilizam a adoção de políticas públicas.