21 de janeiro de 2025 6:36 por Da Redação

A administração municipal de Maceió tem negligenciado a questão das mudanças climáticas e seus impactos crescentes na cidade e na vida da população. A capital alagoana, marcada por sua geografia entrecortada por riachos, canais e córregos, além da densidade populacional em áreas vulneráveis, enfrenta anualmente os efeitos devastadores das chuvas torrenciais de inverno, sem que medidas efetivas sejam tomadas para resolver ou mitigar esses problemas.
Regiões críticas como a orla lagunar e o entorno do Mercado Público são exemplos de áreas que sofrem, constantemente, com alagamentos e deslizamentos. No entanto, não há investimento em obras de prevenção ou adaptação que poderiam reduzir os danos causados pelas intempéries. Além disso, a falta de manutenção é um problema estrutural: os córregos e canais não são limpos regularmente, e o sistema de drenagem da cidade encontra-se praticamente abandonado, agravando os impactos das enchentes.
A ausência de planejamento e execução de políticas públicas para enfrentar as consequências das mudanças climáticas expõe a população, especialmente, as mais pobres, a riscos cada vez maiores. O descaso compromete não apenas a infraestrutura urbana, mas também a qualidade de vida e a segurança dos maceioenses.
É urgente que a gestão municipal assuma sua responsabilidade e elabore um plano integrado que contemple obras de infraestrutura sustentável, a manutenção do sistema de drenagem e ações preventivas para lidar com as mudanças climáticas. A omissão de hoje apenas agrava os desafios do futuro, deixando Maceió em uma posição de fragilidade que, para ser revertida, dependerá de vontade política e gestão eficiente.
As tragédias causadas pelas enchentes têm sido tratadas como uma “janela de oportunidades” por gestores públicos que agem com descaso, deixando de planejar e implementar ações preventivas capazes de evitar mortes e prejuízos materiais às famílias afetadas. O padrão se repete: invernos marcados por chuvas intensas, tragédias anunciadas e, em seguida, o envio de recursos do Governo Federal às prefeituras para socorrer as vítimas.
Essa previsibilidade, que deveria servir como alerta para a adoção de políticas públicas eficazes, acaba sendo ignorada. A falta de planejamento não apenas perpetua o sofrimento das comunidades periféricas, como também expõe a negligência de uma gestão que prioriza respostas emergenciais em vez de investir em prevenção e infraestrutura adequada.