21 de fevereiro de 2025 12:04 por Geraldo de Majella

O Brasil assiste estarrecido à revelação de um dos capítulos mais sombrios de sua história recente: a tentativa de golpe de Estado arquitetada sob a liderança do então presidente Jair Bolsonaro e operacionalizada por militares de alta patente.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República escancara a profundidade da conspiração, trazendo à tona o envolvimento direto de generais quatro estrelas, majores e capitães, compondo um vergonhoso percentual de 70% dos indiciados. A máquina golpista não era um devaneio de lunáticos extremistas, mas, um projeto meticulosamente traçado nos quartéis, nas sombras do poder.
O desmoronamento da farsa se dá de forma irônica e humilhante: o tenente-coronel Mauro Cid, fiel escudeiro de Bolsonaro, que outrora serviu como operador da engrenagem criminosa, agora surge como peça-chave da delação, revelando tudo em um misto de desespero e arrependimento. Sua confissão detalha como o ex-presidente e seus asseclas tramaram contra a democracia brasileira, jogando por terra qualquer tentativa de Bolsonaro de se fazer de vítima ou de negar a conspiração.
O que vemos agora é um desfile de militares antes orgulhosos e altivos, agora reduzidos a figuras patéticas, chorando e denunciando antigos aliados em troca de uma chance de escapar da prisão. Uma cena emblemática que expõe a fragilidade moral daqueles que, outrora, se apresentavam como bastiões da ordem e da segurança nacional. A pergunta que ecoa é: onde estava essa coragem toda quando decidiram conspirar contra a democracia?
Os comandantes do Exército e da Aeronáutica, que rejeitaram a aventura golpista, já haviam dado indícios do que estava sendo tramado. Agora, com as revelações das delações e o levantamento do sigilo pelo ministro Alexandre de Moraes, não resta dúvida: o golpe era real, foi articulado no mais alto escalão e só não se concretizou porque alguns ainda mantiveram um resquício de respeito às instituições.
Bolsonaro, que sempre se vendeu como um patriota, um defensor das Forças Armadas e da pátria, agora se vê à beira do abismo, arrastando consigo aqueles que juraram lealdade cega ao seu projeto de poder. Mas a história não perdoa traidores da democracia. A cadeia é o destino inevitável para os que ousaram tramar contra a vontade soberana do povo brasileiro.
O Brasil precisa aprender com esse episódio vergonhoso. O que se revelou aqui não é apenas a tentativa fracassada de um golpe, mas a necessidade urgente de reavaliarmos o papel das Forças Armadas em nossa República. Não podemos permitir que aqueles que deveriam proteger o país se tornem uma ameaça à própria democracia. É hora de responsabilização, justiça e, acima de tudo, de garantir que essa página infame jamais se repita.