quinta-feira 3 de abril de 2025

Confiança do empresário do comércio segue em queda na capital

Recuo de -4,8% na variação mensal pode sinalizar redução no consumo e, consequentemente, no volume de negócios
Foto: Assessoria

Ao que os números indicam, os empresários do comércio de Maceió andam um pouco desanimados neste início do ano. De acordo com a pesquisa do Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), em fevereiro o indicador marcou 106,6 pontos frente aos 112 pontos de janeiro, representando um recuo de -4,8% no mês. Considerando que, em janeiro, já havia tido queda de -1,6% neste indicador, estes resultados indicam uma maior percepção na redução no consumo e, consequentemente, no volume de negócios.

A queda na confiança, que nos últimos meses vinha oscilando entre as empresas maiores e as menores, acabou sendo uma realidade para os dois grupos, em fevereiro, caiu -2,3% nas empresas com mais de 50 colaboradores e -4,8% nas com menos de 50 colaboradores.

Apesar dos desempenhos negativos em termos mensais, na comparação anual o resultado é positivo, com crescimento de 1,7%. “A queda na confiança do empresário pode ser resultado do lento esfriamento da economia brasileira já observado desde final de 2024. Para 2025, aparentemente, existem expectativas mais a longo prazo do que o que está sendo sugerido pelo conjunto de dados negativos na comparação mensal”, observa o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Francisco Rosário.

Apesar da queda, intenção de investimento está maior do que em 2024

O resultado geral negativo reflete os subindicadores que compõem o ICF, já que todos tiveram queda mensal. O de Condições Atuais apresentou variação mensal de -6,0% e, anual, de 10,6%. Essa comparação anual pode sinalizar força na retomada da confiança, pois indica que a concorrência, a demanda por produtos ou serviços específicos, as tendências de mercado, além dos lucros, estão em condições melhores que em 2024.

O subindicador de Expectativas (IEEC), importante para entender como os empresários estão se preparando para o futuro próximo, teve variação mensal de -5,4% e anual de -5,6%. E o subindicador de Intenções de Investimento (IIEC) recuou -3,1%, no mês, mas subiu 4,7%, no ano. Com isso, apesar da queda nas intenções de investimento em relação a janeiro, é possível dizer que empresários ainda estão mais dispostos a investir neste ano de 2025 comparado a 2024. “Tanto que as expectativas para contratação de funcionários aumentaram 6,5% em relação ao ano anterior, indicando uma perspectiva positiva para o mercado de trabalho. Além disso, houve aumento de 7,2% no nível de investimento das empresas, o que reflete um otimismo cauteloso”, avalia Rosário.

Números negativos não implicam dizer que o cenário geral é ruim

Analisando-se o desempenho dos números em relação aos segmentos, fevereiro teve queda de -5,34% nas expectativas dos empresários do setor de bens duráveis, indicando uma recuperação quando comparado aos -10,4% de janeiro. Por outro lado, passadas as festas de fim de ano e as férias de verão, o segmento de semiduráveis sentiu mais a mudança nos negócios, marcando -6,78% nas expectativas; um aumento frente aos -2,4% de janeiro. Já o segmento de não-duráveis, que tinha apresentado aumento de 3,3% nas expectativas, em janeiro, teve queda de -2,10%, em fevereiro.

Frente a tantos indicadores negativos, o economista explica que é necessário cautela, pois não implica dizer que o cenário geral é ruim. “É preciso considerar que as micro e pequenas empresas dominam o comércio de Maceió. Por esse tamanho de empresa ser mais frágil e sensível, qualquer alteração no ambiente de negócios interfere de forma, às vezes, desproporcional nos sentimentos dos pequenos empresários locais. Isso pode ser um motivo da volatilidade destes números, e não necessariamente os reais fundamentos da economia e o ambiente de negócios local como um todo”, explica Rosário.

Para ele, também necessário considerar que bens duráveis e semiduráveis são mais sensíveis ao crédito, que está mais caro desde o último trimestre de 2024, e que os bens não-duráveis são mais impactados pela renda e pela inflação, que estão sendo pressionadas desde o segundo semestre do ano passado; e tudo isso reflete na dinâmica econômica atual.

Por Assessoria

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