7 de outubro de 2020 5:11 por Da Redação

O comércio iniciou reação após a flexibilização das medidas de isolamento social adotadas por causa da pandemia de Covid-19. As lojas fecharam em março, começaram a reabrir em junho e, em agosto, o setor registrou crescimento de 16%.
Mas, nada de euforia com os números. Segundo o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio/AL), José Gilton Pereira Lima, o momento é de recuperar o prejuízo provocado pela pandemia já que até dezembro, segundo previsão da Fecomércio, não há possibilidade de recuperar um prejuízo de 9% obtido até o último mês de julho.
De acordo com Gilton Lima, se o setor terminar o ano vendendo 2% menos do que no ano passado já pode considerar isso como uma vitória. Apenas em 2021 as coisas devem melhorar, diz o gestor da entidade do Comércio.
Leia a entrevista:
082notícias – O Comércio em Alagoas fechou em meados de março, reabrindo, parcialmente, no final de junho. Como já entramos na segunda quinzena de setembro, é possível avaliar os efeitos e danos da pandemia?
Gilton Lima – No primeiro mês de isolamento social com proibição do segmentos do comércio e serviços não essenciais de abrirem, o prejuízo estimado foi de R$ 1,6 bilhão. Aos poucos, alguns segmentos inicialmente proibidos foram permitidos reabrirem. Agora, com o isolamento já flexibilizado, e com todos os segmentos reabrindo, muitos setores já começam a demonstrar elevação de demanda e recuperação do prejuízo. Segundo o terceiro boletim econômico da Sefaz [Secretaria de Estado da Fazenda], o setor de Comércio cresceu 16% em agosto comparado com o mesmo período do ano passado, mas o setor de calçados ainda não apresentou elevação e recuperação do prejuízo, por exemplo.
082 – Como estava o cenário antes da Covid-19, e como a Fecomércio/AL avalia o que virá com a retomada plena das atividades?
GL – Entre janeiro e fevereiro, o setor já acumulava alta de 1,8%, mas já em março as vendas declinaram, mas mantiveram alta de 1,6%. Hoje, até julho, o setor acumula uma perda de 9% comparado ao mesmo período do ano passado – os 7 meses deste ano comparado ao mesmo período de 2019. Agora, falamos apenas em recuperação do prejuízo, visto que até dezembro não há possibilidade de recuperarmos esse prejuízo de 9%, se terminarmos o ano vendendo 2% menos do que no ano passado já é considerado uma vitória. Apenas em 2021 as coisas devem melhorar.
082 – Estava tudo fechado no Dia das Mães, uma data especialmente importante para o Comércio. O Dia dos Pais, com as lojas já abertas, foi possível recuperar prejuízos? Qual a perda, considerando o mesmo período do ano passado?
GL – Pelo contrário, com uma renda menor e com desemprego em alta, o Dia dos Pais foi marcado por uma intenção de comprar menor do que a intenção de não comprar pela primeira vez em nossa série histórica. Falando em números, o valor circulado na economia de Maceió foi quase R$ 9 milhões abaixo do que o volume no ano passado.
082 – Com a mudança do isolamento para a Fase Azul, em Maceió, muita gente está normalizando as atividades, indo a bares, restaurantes, praia, ao shoppings e ao Centro. Mas ainda há um segmento expressivo da população com medo de voltar totalmente a rotina. Quais os efeitos desse temor no consumo?
GL – Existe o temor do consumo e existe também a mudança de hábitos. Ambos acabam reduzindo o consumo potencial, apontando um consumo efetivo menor do que deveria. O primeiro ainda teme a pandemia e quer proteger sua família, indo aos espaços de consumo essenciais, como farmácias e supermercados. O outro aprendeu durante o isolamento social que pode fazer o mesmo em casa onde já encontrava em empresas, mas certamente, a memória da pandemia sairá aos poucos e ambos os grupos citados devem restabelecer sua rotina de compras pré-pandemia.
082 – Quais as expectativas para o Dia das Crianças, outro bom motivo de vendas?
GL – Ainda não temos informações e nem dados coletados para avaliarmos. Certamente será melhor do que o Dia dos Pais, já que muitos retornaram a rotina de consumo e visitação de ambientes comerciais, facilitando o estímulo para comprar e presentear.
082 – Quanto ao cenário econômico nacional, o que a Fecomércio espera, e que avaliação faz das medidas até agora adotadas pelo governo?
GL – O cenário nacional é de recuperação. Estamos em recessão técnica, uma queda de 2,5% no primeiro trimestre – que não deveria ter sido afetado pela pandemia -, e outra queda de 9,7% no segundo trimestre – completamente afetada pelo isolamento social, são 12,2% de prejuízo no semestre, será muito difícil uma recuperação este ano. As medidas foram boas mas não o suficiente, o BEm/MP 936, ajudou a manter empregos, por meio da suspensão e redução da carga horária, mas não conseguiu evitar o desemprego. O Auxílio Emergencial foi positivo e ajudou 65 milhões de pessoas a manterem comida na mesa num período tão conturbado. O Pronampe foi uma ótima ideia, mas não teve orçamento suficiente para todos os empresários, tanto é que apenas 12% dos empresários conseguiram crédito nessa modalidade, o restante não conseguiu porque o montante disponibilizado foi muito pequeno e esvaziou rapidamente, não evitando a falência de muitos empreendedores.