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ECOLOGIA: ENTRE O DISCURSO E A PRÁTICA

por | 11 fev, 2020

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Maria de Fátima de Sá*

À primeira vista, economia e ecologia são antitéticas[1], mas, se olharmos melhor, veremos que o que é antiecológico é também antieconômico. A antítese anterior resulta de que, em nossa sociedade, as opções econômicas são escolhas parciais, setoriais, a curto prazo, enquanto a ecologia envolve uma visão global (Laura CONTI).

A frase destacada acima pode soar palatável hoje. Quando foi lançada, na Itália, em 1977, a primeira edição do livro Che cos’è l’ecologia. Capitale, lavoro e ambiente [No Brasil, a 1ª edição saiu em 1986, recebendo o título Ecologia: capital, trabalho e ambiente], e até muitas décadas após, parecia uma heresia para muitos defensores do desenvolvimento predatório. A autora, conforme informações da Wikipedia, foi “uma antifascista italiana, médica, ambientalista, política socialista, feminista e romancista, considerada uma das figuras de vanguarda do ambientalismo italiano”, que nasceu em 1921 e veio a falecer em 1993.

Nos anos 70, 80 e 90, do século passado, falar em ecologia era coisa de quem não queria o “progresso”.  Isto era visto aqui em Maceió, quando ambientalistas se posicionaram contra a instalação, em uma das mais belas praias, em pleno bairro residencial da zona sul da cidade, de uma fábrica que trazia riscos potenciais à população que ali habitava e à comunidade tradicional residente em bairro próximo.

Recorro à esta frase de Laura Conti sempre que o debate se inclina para este modo arcaico de pensar e que voltou a ser tão atual nestes tempos em que a ciência se depara mais uma vez com o criacionismo, a negação do aquecimento global e até o terraplanismo, e que o pensamento Malthusiano voltou ao discurso oficial.

Passadas algumas décadas, legisladore(a)s e gestore(a)s de Alagoas assumiram, em seus discursos, conceitos antes ignorados e restritos ao grupo dos considerados antiprogressistas: ecologia, conservação dos recursos naturais, meio ambiente, sustentabilidade, e tantos outros. Às vezes, os termos são utilizados de forma incorreta, mas, fazem-nos parecer modernos, ainda que, na prática, as belas e encantadoras praias e lagunas, por exemplo, continuem recebendo esgotos que as enfeiam e contaminam, representando uma antítese à proposta de turismo sustentável – importante setor para a economia do Estado.

*É docente aposentada da Ufal. Doutora em Ecologia pela UFSCar.

[1] Antitética: que constitui ou encerra antítese, antagonismo, contrário. (HOUAISS, A. e VILLAR, M.S. Dicionário Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009).

 

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