
A pesquisa sobre o consumo de livros no Brasil, realizada pela Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Nielsen BookData, revela um dado interessante: embora a classe A tenha o maior poder aquisitivo, ela é a menor consumidora de livros, representando apenas 6,8% dos compradores.
Isso pode ser explicado por vários fatores. Primeiramente, membros da classe A tendem a adquirir livros mais caros e especializados, como edições de luxo ou obras acadêmicas, o que reduz o volume de compras.
Além disso, esse público tem acesso a outras formas de consumo cultural, como viagens, arte e eventos exclusivos, o que pode diminuir o foco na leitura. Também é importante destacar que muitos preferem consumir conteúdos digitais, como audiobooks e e-books.
Por outro lado, as classes C e B dominam o mercado editorial. A classe C representa 45% dos consumidores de livros, enquanto a classe B ocupa a segunda posição, com 38,4%. A classe D e E representam 11,8%, e, como já mencionado, a classe A ocupa o menor percentual de 6,8%. Esse público das classes C e B vê na leitura uma ferramenta de ascensão social e educacional, sendo a compra de livros uma forma de buscar mais oportunidades e melhorar a qualidade de vida.
A classe C, mais numerosa nesse mercado, tende a consumir livros populares e de maior volume, o que reflete o crescente interesse por cultura e educação em busca de mobilidade social.
Portanto, enquanto a classe A opta por uma leitura mais especializada e diversificada, as classes C e B se destacam no mercado por seu apetite mais amplo e pela busca de livros que promovam o crescimento pessoal e profissional. Com 27% dos consumidores totais de livros sendo mulheres da classe C, o aumento da leitura entre esse público se reflete também na busca por mobilidade social, demonstrando o poder da leitura como ferramenta de transformação e empoderamento.
Ponto crítico
Apesar do crescimento no consumo de livros pelas classes C e B, uma reflexão importante se impõe: o desajuste entre o acesso e o preço dos livros no Brasil. As classes mais baixas, que são as que mais consomem livros, ainda enfrentam barreiras significativas para o acesso à leitura devido ao preço elevado de muitos títulos e à falta de políticas públicas que incentivem a democratização da leitura. Embora a compra de livros tenha aumentado, principalmente entre mulheres da classe C, a acessibilidade continua sendo um desafio. A busca por ascensão social através da leitura é louvável, mas sem iniciativas que facilitem o acesso aos livros, o crescimento do mercado editorial pode ser limitado, mantendo-se restrito a um público específico que tem condições de adquirir essas obras.