
Na política, como na cozinha, há processos que não podem ser apressados, mas também não acontecem sozinhos. Um feijão jogado na panela sem a devida pressão pode até amolecer, mas, levará tempo demais e, muitas vezes, ficará inconsistente. O mesmo vale para os políticos: sem cobrança popular, sem organização da sociedade e sem mobilização, eles tendem a permanecer duros, insensíveis às necessidades do povo.
A história mostra que avanços sociais e políticos quase nunca vieram por benevolência de governantes. O voto feminino, os direitos trabalhistas, a redemocratização do Brasil e tantas outras conquistas foram fruto da pressão popular. Sem ela, o sistema se acomoda, os políticos se tornam reféns de interesses privados e as mudanças necessárias ficam no fogo brando das promessas não cumpridas.
O Carnaval, por exemplo, é uma festa da imensa maioria do povo. Uma tradição cultural que movimenta a economia, gera empregos e fortalece a identidade popular. Como pode uma prefeitura não cuidar desse importante evento? Deixar de investir no Carnaval significa ignorar a força da cultura e do turismo, além de privar a população de um direito legítimo à alegria e à celebração coletiva. A omissão nesse sentido revela um governo que não compreende as prioridades do povo – ou que simplesmente não sente a pressão necessária para agir.
Mas a pressão começa a surtir efeito em Maceió. Depois de anos de descaso, a prefeitura resolveu, de última hora, organizar alguns shows em Jaraguá, anunciando que aquilo seria o “Carnaval da cidade”. Difícil convencer quem acompanha a realidade: a atual administração já pegou cinco carnavais e nada significativo aconteceu para que se possa dizer que há Carnaval em Maceió nos dias da folia.
O ano de 2024 ficou marcado pelo escândalo e o deboche carnavalesco da Prefeitura de Maceió, que destinou R$ 8 milhões para a Beija-Flor, no Rio de Janeiro, enquanto as escolas de samba da própria cidade receberam algo em torno de R$ 10 mil cada. Um desperdício de dinheiro público que revelou as prioridades distorcidas de uma gestão que prefere patrocinar luxo e espetáculo para os outros em vez de investir na cultura popular local.
A panela de pressão da política é feita de movimentos sociais, greves, manifestações, debates e participação ativa da população. Mas também da força das mídias, dos artistas e dos produtores culturais, que dão visibilidade às injustiças, denunciam o descaso e mobilizam a opinião pública. Sem a arte, a cultura e a comunicação como aliadas, a indignação popular se dilui. Quem entende isso sabe que não basta eleger representantes e esperar que ajam por conta própria. É preciso manter o fogo aceso, vigiar e cobrar para que as decisões tomadas realmente atendam aos interesses do povo.
Afinal, feijão sem pressão fica duro. Político sem pressão da sociedade não entrega o que prometeu.