Da Venezuela para Alagoas, conheça a arte e trajetória de Oriana Perez

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29 de novembro de 2020 por Madson Costa

Nascida na cidade venezuelana de Maracaibo, no estado de Zulia, e filha de dois professores universitário, Alfredo Perez, biólogo, e Nayibe, Perez, ecóloga, Oriana Perez, de 20 anos, é uma artista visual venezuelana multifacetada, que reside em Maceió há 3 anos. Seu percurso por Alagoas inicia-se como resultado da crise sistemática que acomete a Venezuela desde o fim do governo de Hugo Chavez. Alagoas, para ela, surge como uma metáfora que aponta para o descobrimento de si enquanto artista, já que é em terras alagoanas que ela se descobre enquanto tal.

Oriana Perez
Foto por: Geoneide Brandão

Em Alagoas, Oriana Perez amplia seu diálogo artístico para diversos segmentos e linguagens, se consolidando como artesã, pintora, cineasta e artista plástica. Na sua trajetória, Alagoas surge como marco inicial, mas as influências de sua região natal firmam-se como seu berço artístico, é lá onde foi despertada sua curiosidade, que, logo cedo, fez com que começasse a reproduzir a natureza em diferentes formas.

Na produção artística de Oriana, a América Latina estabelece-se como uma de suas bases. Para entendê-la, é necessário ter consciência do jeito como ela constrói essa conexão intrínseca com sua origem latina, suas obras dialogam diretamente com o que é ser latino americano de forma contemplativa e, ao mesmo tempo, de maneira real, sólida e crua, reivindicando e se posicionando politicamente. Ela sabe os pesares e as felicidades de ser latina.

 

Oriana Perez
Foto por: Geoneide Brandão

Como pintora, Oriana inspirou-se em vários artistas impressionistas, como Armando Reverón, Henri Matisse, Camille Pisarro e Claude Monet, os quais despertaram um senso de captar a luz e movimento em suas obras. Reverón veio como uma primeira referência, o contato com sua obra aconteceu em uma exposição do artista em Caracas, a qual vislumbrou em Oriana novas possibilidades de como transformar e utilizar materiais e objetos não usuais para criar arte.

As obras de Oriana Perez destacam-se pelo peso que carregam e a sensibilidade que conseguem desperta através do que é retratado, fato que fez com que, apesar de pouca idade, ela tivesse uma de suas obras escolhida para ser exposta na Galeria de Arte Nacional de Caracas e que seu curta de estreia “Nunca olvidar” fosse contemplado no mais importante festival de cinema alagoano, a “Mostra Sururu de Cinema Alagoano”, em sua décima primeira edição. Além disso, a artista também é a idealizadora do projeto “Ciclos Visuais”, que acontece desde outubro de 2020 no Teatro Deodoro.

Oriana Perez Foto por: Geoneide Brandão

Nesse ano, através de uma de suas pesquisas estéticas, advinda do seu costume de guardar folhas e flores em livros, a artista também lançou sua linha de brincos “Folium”, que surge como uma nova expressão artística que conversa com o seu universo criativo-visual. Uma concepção estética através da moda, que visa aproximar a obra da artista as pessoas, tendo um vínculo de intimidade palpável.
Além de sua pesquisa voltada para sua linha de brincos, ela também desenvolve outra pesquisa estético-visual, se baseando principalmente em corpos, especificamente de mulheres, com paletas de cores majoritariamente terrosas e pinceladas largas e fortes, alcançando novos horizontes estéticos, que antes se concentravam em técnicas mais realistas.

Já em relação ao projeto cultural que desenvolve, Ciclos Visuais, em parceria com o Teatro Deodoro, nesse espaço, promove-se um vínculo de produção artística feminina, em encontros semanais voltados à pintura, reunindo jovens artistas conhecidas, que dialogam entre si em uma exposição coletiva, onde cada artista produz uma tela por mês, sendo essa periodicidade, então, o ciclo que referencia o nome do projeto.

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