Obstinação pela cegueira: a violência policial contra a manifestação em Recife no dia 29 de maio

As balas tinham mira certeira: cegar os que enxergam o óbvio e lhes tirar a força da lucidez que os mobiliza.

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Por Valéria Correia

 

Manifestante sendo preso em Recife. Crédito: Folha UOL

 

Autora: Valéria Correia é Profa. Dra. FSSO/UFAL

A indignação com o plano de morte abertamente executado na pandemia pelo governo brasileiro, sob o comando do seu chefe maior, mobilizou a população brasileira às ruas, no dia 29 de maio.

Na cidade de Recife, a manifestação pacífica foi interrompida pela violência de um grupo de policiais da PM visivelmente motivada pelo ódio cego a quem estivesse à sua frente.

Os disparos foram incessantes e com o vigor de quem queria vingança. A obstinação era cegar os que atravessassem o seu caminho, em defesa alucinada do seu Mito violento em decadência.

Acertaram a visão de 2 homens que transitavam por motivo de trabalho, detonando um dos olhos de cada. A terceira vítima da obstinada cruzada foi uma mulher. Sem mirar os seus olhos, porque centímetros os separavam e o ódio misógino não permitia encará-la, atearam pimenta nos olhos da vereadora Liana Cirne. Ela caiu embaraçada e, com e pela dor de todas/os/es, se ergueu rapidamente para continuar encarando os propagadores da sangrenta cegueira.

A violência cometida pela tropa de choque da PM de Pernambuco precisa ser apurada e punida com rigor. Quem autorizou o ato bárbaro precisa ser desmascarado.
As balas tinham mira certeira: cegar os que enxergam o óbvio e lhes tirar a força da lucidez que os mobiliza.

O trabalhador Jonas Correia de França atingido por uma bala de borracha perdeu um olho

A “epidemia de cegueira branca” (de Saramago), que atingiu tantos que têm apoiado e protagonizado a destruição da vida – 721 medidas para destruir a natureza e expropriar as terras indígenas; negação da Ciência e da pandemia para deixar a boiada de interesses do andar de cima passar, provocando as milhares de mortes evitáveis e o aprofundamento abissal da desigualdade social, da miséria, da fome – vai continuar a ser enfrentada com a lucidez de quem defende a natureza, a civilização contra a barbárie, a vida acima do lucro.

O maior propagador do vírus da Covid e da fome no país será impedido de continuar o seu plano de morte. O povo voltará mais forte às ruas pelos seus “amores na mente” que se foram precocemente. Terão “a certeza na frente e a história na mão”, a lucidez da razão e as “flores vencendo o canhão”. Enfrentarão a cegueira e os obstinados por ela!

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