Livrai-nos da Peste, São Sebastião.¹

Na Idade Média, São Sebastião foi feito patrono das corporações de flecheiros e protetor contra a peste.

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Por Gilvan Gomes

Pe. Gilvan Gomes das Neves.  Mestre e Doutor em Ciências da Religião pela UNICAP. E-mail: Gilvan.neves@uol.com.br

Hoje, a Igreja Universal celebra São Sebastião (245-288 d. C). De início sua representação variava: algumas vezes com uma túnica militar, outras com armadura ou roupa de nobres (Idade Média) e, ainda, como soldado romano (Renascimento). Daí em diante, firma-se sua imagem flechada, amarrada a um pilar ou um tronco de árvore, como temos na maioria das nossas Igrejas:

Fonte: www.mensagemcomamor.com.br

Segundo a tradição, o mártir São Sebastião nasceu em Narbona (Gália) e era soldado do exército romano. Foi capitão da primeira coorte da Guarda Pretoriana, do Imperador Diocleciano (239-305). Por ser cristão, o amarraram em uma árvore e o crivaram de flechas. Tido por morto, foi socorrido e curado pelos cristãos. Posteriormente pediu ao Imperador que deixasse de perseguir aos cristãos, mas em resposta foi açoitado até morrer, entre 284 e 288. Com certeza conhecemos sua sepultura nas catacumbas, em Roma, e seu culto antiquíssimo. No século IV, foi feita uma Igreja sobre sua sepultura. Na Idade Média, São Sebastião foi feito patrono das corporações de flecheiros e protetor contra a peste, pois a mesma era como uma flecha que matava um após outro, como aconteceu , p.ex., em Lisboa em 1575, e de Roma, em 1680. Segundo outros, a lenda que Apolo defendera os gregos da peste atirando-lhe uma flecha, teria incrementado a devoção a São Sebastião.² Na luta entre o bem e o mal, o soldado São Sebastião vence a peste, a fome e a guerra. Em Portugal cantam; “São Sebastião milagroso / vós sois médico sagrado. /Livrai-nos da fome, da peste, da fome e da guerra / sois nosso advogado”.³

Antigamente, sua procissão e festa eram organizadas pelo poder público, pois São Sebastião pertence aos “santos guerreiros” e é patrono dos soldados, dos fogueteiros, dos armeiros, e negociante de ferragens; também é patrono dos fazendeiros e boiadeiros e protetor do gado.

No Brasil, São Sebastião é padroeiro de 144 paróquias e dá nome a sete municípios brasileiros, além de vilas e povoados. No município de Capela – AL, São Sebastião é festejado com cavalhada e reisado.

Em tempos tão difíceis de “peste” por todos os lados: sanitário, político, social precisamos da intercessão de São Sebastião para nos fortalecer na solidariedade e na gratuidade que a “festa” nos deve trazer. E cantar com o poeta: “Hoje é dia de festa/ todos vão se encontrar. / Toda dor, todo pranto / hoje vão se acabar” (Geraldo Vandré, Dia de festa). Valei-nos, São Sebastião!

Notas:

1- Hino de domínio público cantado em louvor a  São Sebastião, na sua Igreja do Sertãozinho em Anadia-AL.

2- LINDEBOOM, G. A. Introdução à História da Medicina. Rotterdam: Erasmus Publicação, 1993, p. 102.

3- Douro-Litoral, boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História I. Porto, 1940, p.31.

REFERÊNCIAS:

Douro-Litoral, Boletim da Comissão Provincial de Etnografia e História I. Porto, 1940, p.31.

LINDEBOOM, G. A. Introdução à História da Medicina. Rotterdam: Erasmus Publicação, 1993, p. 102.

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