sábado 5 de abril de 2025

Janelas e TVs

Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, ele, por certo, esqueceu de incluir a televisão.

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro

 

Nelson Rodrigues (1912-1980). Foto: Douglas Alexandre/O Cruzeiro/Arquivo EM)

 

Retorno às perguntas-questionamentos selecionadas pela Arriete e respondidas por mim. Dessa vez uma questão do grande Nelson Rodrigues (foto).

– “A televisão matou a janela”?

RESPOSTA – A televisão não apenas matou a janela como também a capacidade crítica e lúdica da maioria do povo brasileiro.

Quando Nelson Rodrigues afirmou que não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos, ele, por certo, esqueceu de incluir a televisão.

Suponho ser algo maquiavélico e proposital a maldade alienante contida nas grades de programação de qualquer uma das TVs abertas e comerciais deste país. Seria muita ingenuidade não admitir que a mídia, de uma forma geral, é o tentáculo mais forte do capitalismo. E, claro, tem como protagonista principal as grandes redes de televisão, que se prestam inclusive ao monopólio do poder e suas conseqüências nefastas.

E é lamentável, pois se trata de um veículo que tem um alcance enorme, que poderia ter conteúdo culturalmente louvável e transformador. Porém, o que vemos e o que se estabeleceu, a partir das concessões públicas e suas negociatas políticas, é altamente contestável.

O princípio pelo qual a hegemonia é vital para a sobrevivência do capitalismo, também se aplica à televisão brasileira. Portanto, é pelo viés da mediocridade que ela mantém as massas culturalmente empobrecidas, contudo, ávidas ao consumismo.

E assim, cumprem o que determina o capital, sem admitir diálogos, sem espaço para o pensamento intelectual, sem rota de fuga para os incautos telespectadores, transformados em manada teleguiada e hegemônica.

Reza a lenda que o poeta Vladimir Maiakovsk, quando questionado sobre a dificuldade dos seus poemas serem compreendidos pela massa, respondeu: pois então que se eleve o nível das massas.

Tal premissa seria imediatamente execrada e causaria arrepios aos executivos das TVs abertas no Brasil. Por isso, a verdadeira arte tem cada vez menos espaço em suas grades de programação. Sobretudo, porque sabem que Maiakovsk estava certo quando disse:”A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo!”

No +, MÚSICABOAEMSUAVIDA!🎶🎶🎶

Please follow and like us:
Pin Share

Mais lidas

Ministra Luciana Santos destaca poder transformador de trabalhos realizados por alunos do Sesi Alagoas

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Os projetos sociais e educativos

Entidades pedem ao MPF a paralisação imediata das obras da Linha Verde

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Um grupo de entidades acionou

Governo anuncia concurso com 2 mil vagas para a Polícia Federal

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro O ministro da Justiça e

Para indenizar juíza, TJPR zera as contas de jornalista

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Por Marcelo Auler Na expectativa

Janeiro Branco: Maranhão é o estado com menos psicólogos na rede pública do Nordeste

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Por Thiago Aquino, da Agência

Alagoas registra a abertura de mais de 36 mil empresas em 2024

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Alagoas registrou a abertura de

Obesidade leva a disparada de diabetes no mundo em três décadas

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro A obesidade está por trás

Praça dos Três Poderes recebe ato em defesa da democracia em 8 de janeiro

13 de outubro de 2021 4:46 por Mácleim Carneiro Por Lucas Toth, do portal

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *