Madson Costa

Real Frost e o Trap da zona oeste de Maceió

 

Foto: Elias Felix.

 

 

Luiz Eduardo, mais conhecido como RealFrost, é um trapper alagoano, que vem se destacando dentro da cena cultural com suas músicas produzidas de maneira independente. Situado na parte alta de Maceió, RealFrost iniciou sua carreira fazendo “No Melody” e, então, passou a diversificar sua produção para os mais variados tipos de trap. Ele chama atenção pelo seu caráter independente, do-it-yourself, e pela inventividade de suas letras, que são bastante influenciadas pela urbanidade maceioense e sua realidade muito particular.

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Frost traz a visão das ruas no que produz, assim, erigindo um caráter muito único do que faz. Apesar da independência de suas produções, que não contam com grandes produtoras e são gravadas por ele mesmo, elas não perdem a qualidade. O trapper consegue alçar uma boa qualidade nos seus clipes e músicas, que se passam, na maioria das vezes, nas ruas do bairro do Village 2. Em SUPERXANA, com feat do trapper Drug$lerx, Frost demonstra o seu potencial enquanto artista, construindo sua própria estética audiovisual e melódica. Além disso, ele faz parte de uma geração de trappers da parte alta.

Frost também faz parte da AK Sultry, uma recém-criada banca de trappers, que está construindo a nova cena do gênero juntamente à Bobaco e Oeste Gang. Essa união de artistas vem impulsionando o trap alagoano, que cada vez mais cresce e atinge novos públicos. Ou seja, apesar de jovem, RealFrost já vem caminhando para uma ascensão no gênero. Suas músicas estão disponíveis no seu canal no Youtube, RealFrost, e no seu Instagram, @realfrostt.

Por Madson Costa

Conheça Laís Guimarães, um dos principais nomes da Nova MPB alagoana

A jovem compositora diz que seu amor pela música surgiu espontaneamente, ao passo que compunha suas canções e aprendia novos instrumentos, se apaixonava.

Lais Guimarães. Foto: Duda Bertho

Laís Guimarães, de 23 anos, é uma cantora, compositora e multi-instrumentista alagoana, que vem chamando atenção na cena musical de Alagoas desde 2017, quando lançou seu primeiro single, “Final Feliz”. Laís também lançou o EP “Voar”, composto por 5 músicas autorais, “Crescer”, também composto por 5 músicas autorais, e o single “Melhor de Mim”. Além disso, seus trabalhos vêm angariando milhares de streamings nas plataformas digitais, quase 100 mil no Spotify, o que faz com que cada vez mais a cantora se consolide como um dos principais nomes da nova geração da MPB alagoana.

A jovem compositora diz que seu amor pela música surgiu espontaneamente, ao passo que compunha suas canções e aprendia novos instrumentos, se apaixonava. Começou a tocar violão aos 11 anos e posteriormente Aprendeu a tocar piano sozinha, na casa de sua avó, e, à medida que se aperfeiçoava nos instrumentos, conheceu a música Folk, período no qual começou a compor com mais frequência, ao passo que também passou a ter aula de canto e piano, na Casa de Música Villa Lobos. Sob a luz de influências musicais de importantes artistas da nova MPB, a exemplo disso, Phil Veras, Tiago Iorc, Tim Bernardes, Vanguart, entre outros, suas composições autorais ganharam vida.

Lais Guimarães. Foto: Duda Bertho

Suas canções evocam esperança, amor e felicidade dentro do peito, seus versos trazem paz e tranquilidade, sua voz constrói uma textura calma e pacata, que potencializa todos os sentimentos que a cantora passa. Laís Guimarães compõe músicas tanto para os dias telúricos quanto os soturnos, ela é um desses talentos que quando ouvimos já sabemos que tem um algo a mais. Apesar da pouca idade, a jovem artista já tem sua própria textura melódica, seu próprio caminho traçado e sua estética sonora, o que reafirma ainda mais seu talento.

Laís Guimarães é um desses jovens talentos para ficar de olho, pois sabemos que ela pode surpreender ainda mais. Seus videoclipes são produzidos com muito esmero, “Por trás da janela”, que está disponível em seu canal no Youtube, representa isso, já seu clipe “Crescer”, feito a partir de seu acervo pessoal e gravado com um celular em casa, traz uma estética que aponta para o independente e o “do it yourself”, mas com primazia. Todas as suas canções estão disponíveis nas principais plataformas de streaming, como Spotify, Youtube, Deezer. Ela também publica as principais novidades no seu Instagram @laisguimaraesf.

 

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Por Madson Costa

Conheça a compositora alagoana Marina Nemesio e seu primeiro single “Lilás”

Marina Nemesio. Foto: Geoneide Brandão

A jovem compositora e artista visual Marina Nemesio, de 24 anos, vem se destacando na música alagoana e no dia 5 deste mês, quinta-feira, lançou seu primeiro single “Lilás”, composto por uma canção com o mesmo nome. O single, cuja composição é de Phylipe Nunes Araújo, foi lançado pelo selo de música alagoano Batata Records e produzido em colaboração com Bruno Berle, que fez voz e piano, e Batata Boy, Leonardo Acioli, responsável pelo teclado.

Além disso, ela lançou o clipe da música, o qual foi gravado no Complexo Cultural Teatro Deodoro, e está disponível no Instagram, @batatarecord, e no canal do selo no Youtube. A produção também foi apoiada pelo governo do estado de Alagoas, através da Secretaria de Estado da Cultura, via Lei Aldir Blanc. Marina é um desses jovens nomes da nova geração da Música Popular Brasileira, que vêm cada vez mais se destacando, e esses fatos citados anteriormente servem para atestar ainda mais sua qualidade artística.

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Em “Lilás”, ela dá os primeiros pontapés para qual é a textura melódica de seus sons, em versos agridoces, que, ao passo que trazem uma certa espécie de melancolia, constroem uma eufonia esperançosa, introduzida pelo “amanhã que trará o sol”, ou “porque amanhã há de nascer o sol e há de voltar você”, como nos versos da compositora. Mas, ao mesmo tempo, “Lilás” não traz toda sua genialidade, o que, talvez, seja apenas para apresentar Marina ao mundo. Lilás é curto e doce, já Marina é uma dessas artistas para ficar de olho.

 

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Por Madson Costa

“Os Meninos da Parte Alta” é livro de estreia do poeta Madson Costa

Por Jonas Marques

Capa de Oriana Perez

O poeta alagoano Madson Costa, de 19 anos, publicou recentemente seu primeiro livro de poemas “Os Meninos da Parte Alta”, marcando sua estreia literária, através da editora Parresia. Apesar de já ter sido selecionado em várias antologias poéticas, essa é sua primeira publicação solo. O livro foi feito em edição bilíngue, contendo um capitulo inteiramente escrito em inglês, o que, de acordo com o autor, serve para abarcar um nicho maior de leitores. Além disso, ele também explica que essa é uma edição limitada, mas que haverá o lançamento de uma outra edição escrita completamente em português e com mais conteúdo.

“Os Meninos da Parte Alta consiste na reunião de vários poemas que escrevi ao longo de dois anos, além de um ensaio, “Onde estão os negros”, um manifesto literário, “Manifesto Parte Alta”, e um capítulo em inglês. Com esse livro, eu tento fazer uma análise sócio-poética da realidade de Maceió, traçando uma relação dialética e geográfica entre os espaços da cidade. Essa relação se dá através do ordenamento dos capítulos e os temas abordados. Os Meninos é um grito poético e social”, explica o autor.

Por fim, ele evidencia que “a linguagem da obra é totalmente acessível e de fácil compreensão, é uma leitura gostosa e rápida, mas potente e crítica, que aborda questões sociais, como nos poemas do primeiro capítulo “Poemas da Parte Alta, coisas mais sentimentais, no capítulo “Poemas da Parte Baixa”, e coisas que tendem um pouco ao hermético, como visto no último capítulo “Cânticos Esquecidos Pela Manhã”.

Para adquirir a obra, que custa 35,00 R$, basta apenas entrar em contato com Madson através de seu Instagram, @madson_costaa, ou seu número (82) 98181-9545, e agendar um horário específico com o autor. Segundo ele, a produção do livro aconteceu devido ao grande apoio que recebeu de seus colegas, como os escritores Vanderlei Tenório, que foi responsável pela apresentação do livro, Lucas Lisboa, responsável pelo prefácio, Wellington Amâncio, que cuidou das questões editoriais, a artista visual Oriana Perez, que desenvolveu o projeto gráfico, o canadense Florent Salambier, revisor do capítulo em inglês, e o fotógrafo Guilherme Jerônimo, responsável pela foto contida na obra.

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Por Jonas Marques

Artista plástica Geoneide Brandão promove exposição de quadros nesta sexta-feira, na Ponta Verde

A artista visual Geoneide Brandão, de 21 anos, promoverá nesta sexta-feira (19) sua primeira exposição solo, no bistrô Bon Vin, no bairro da Ponta Verde, onde seus quadros ficarão disponíveis até abril. O evento começará a partir das 19 horas e, de acordo com as informações disponibilizadas pela artista, a exposição “amorARDOR” é uma investigação e exploração da sexualidade feminina sob a perspectiva de uma mulher LBTQIA+, cujo ponto de partida são suas próprias experiências. Além disso, o forte uso de cores quentes e os recortes ampliados de corpos caracterizam a produção de Geoneide.

Todas as suas telas estarão à venda, inclusive “Livre”, uma das telas de maior destaque na exposição, na qual, de acordo com a artista, ela pondera acerca da liberdade encarnada no corpo de uma pessoa trans. Lucas S. Gruntman explica que “a tela mostra a beleza de uma alma, muito além de um corpo, muito além da matéria, mostra que nós, pessoas trans, somos humanos e sangramos como qualquer outro ser humano.” “amorARDOR” marca o início da escala de Geoneide Brandão, que vem se consolidando como um dos principais jovens nomes dentro das artes plásticas de Alagoas, rumo a Londres, onde fará uma exposição na importante The Brick Lane Gallery, em julho.

Por Madson Costa

AS 5 MELHORES MÚSICAS ALAGOANAS DE 2020

2020 foi um ano de muitos contrastes e acontecimentos para o mundo, mas, apesar dos abalos que o setor da música sofreu, grandes produções surgiram durante o percurso deste ano. E, com o intuito de promover as produções musicais que mais se destacaram por suas complexidades, sensações e excelências técnicas, decidi, juntamente com o cantor e compositor Israel d’Luca e uma mesa formada por outros artistas do estado, reunir as 5 melhores músicas alagoanas de 2020.

No entanto, façamos a ressalva que o objetivo dessa lista não é diferenciar entre melhores ou piores, mas, sim, divulgar, incentivar e promover artistas locais e suas obras. Nesse contexto, nossa lista surge como uma análise profunda de faixas que possam evocar uma grande contemplação lírica, crítica e melódica através de suas texturas e complexidades

  1. Não to ligando – Saci x Freelipe x FM

A terceira faixa do EP “Cabeça de Nego”, dos rappers Saci, da Febre do Rato Prod, FreeLipe, do coletivo RAPEM, e FM, se destaca por ser uma manifestação de exímia qualidade tanto musical quanto estética. A faixa, em essência, propõe um debate crítico e promove a questão da negritude, trazendo à tona “a fúria negra”, fugindo do comum e do raso. Além disso, os arranjos, mixes e masterização do rapper Saci enriquecem ainda mais a sua qualidade técnica. Assim, “Não to ligando” não surge apenas como mais uma faixa, mas uma nova forma de enxergar a negritude, o Rap e a arte, ao passo que se propõe ser um manifesto sonoro do poder das ruas. O EP e a música estão disponíveis no canal da Febre do Rato Prod, no YouTube.

 2.  O Fantasma – Thiago Mata

O segundo single do EP “Maré”, do músico maceioense Thiago Mata, que marca a estreia de sua carreira solo, é de uma delicadeza ímpar. Letra, melodia, harmonia e interpretação se entrelaçam de forma, digamos, surreal. Segundo Mata, “[O Fantasma] fala sobre a angústia de não saber, de se ver preso em pensamento, questiona a importância das coisas de nossas vidas. Compila todos os pensamentos noturnos de Thiago acerca de espiritualidade e Deus. Uma canção que Thiago espera que proponha reflexões”. E, sem sobra de dúvidas, Thiago Mata conseguiu fazer jus a sua proposta. Por conter tamanha delicadeza, “O Fantasma” é uma canção para se escutar com atenção, de preferência em um lugar tranquilo, para que se possa senti-la em sua plenitude. E, por ser uma canção que nos faz refletir, pensar além e possuir uma sensibilidade de excelência, “O Fantasma” merece estar passeando por esta lista. Além disso, Thiago também faz parte da banda “Os Fugitivos”, que possui um trabalho primoroso e que vale a pena ser conferido. O Single e o EP completo podem ser encontrados nas principais plataformas de música. Mas se puder, assista ao clipe de “O Fantasma” no YouTube.

3. É assim – Saci X Lzu. 

“É Assim”, primeira faixa do EP “Hipnose”, de Saci e Lzu., angariou este espaço na lista por ser a representação da qualidade artística dos dois, cuja excelência não se manifesta unicamente nessa faixa, mas no EP por inteiro, que pode ser facilmente considerado uma das grandes obras primas do rap alagoano e, provavelmente, o melhor do gênero feito em 2020. Todas as faixas da obra poderiam indubitavelmente conquistar um lugar aqui, no

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entanto, escolhemos apenas uma, aquela que pode resumir a magnitude e excelência de “Hipnose”. “É Assim” narra a realidade, sonhos e ambições. Os beats, mixagem e masterização de Lzu. tornam tanto o EP quanto a faixa uma obra prima, além de demonstrar a sua incrível genialidade artística. Também merece uma grande menção honrosa a segunda faixa do EP “Quem mandou”, tão boa e complexa quanto “É Assim”. O EP e as duas faixas estão disponíveis no canal da Febre do Rato Prod, no YouTube.

4. Auroras Tempestades – Troco em Bala

“Auroras Tempestades” é a primeira faixa do segundo EP homônimo da banda Troco em Bala, que é uma das bandas de maior prestígio em Alagoas. Bruno Berle, vocalista e instrumentista da banda, foi o responsável por fazer o arranjo, melodia vocal e letra, assim, gravando voz, baixo e guitarra. Felipe gravou violão, percussão e guitarra. Lucas gravou guitarra e Chase gravou bateria. É uma reunião de grandes músicos da nova geração. Saindo um pouco da ficha técnica, a canção é uma celebração à natureza. Repleta de paisagens comuns que, no entanto, não deixam de ser relevantes, e uma melodia e harmonia alto-astral, a música em questão, nos coloca quase que em um estado de êxtase. “Auroras Tempestades” é a alegria em forma de sons que flutuam na imaginação de quem se permite se inserir no cenário proposto por Berle. No mais, é uma peça musical que não poderia faltar em sua playlist, muito menos nesta lista. A faixa e o EP estão disponíveis nas principais plataformas de música.

5. Saudade – Lucas Cupertino

“Saudade”, single do cantor e compositor miguelense Lucas Cupertino, é daquelas músicas que conseguem nos envolver à primeira audição, sem arrodeios e sem ser pretensiosa. Cupertino colocou em seus versos a espontaneidade e persistência da saudade e sua consequência mais vigente: a esperança de reencontrar a pessoa amada. Por ser uma música que aborda um tema íntimo, a combinação da voz suave e aveludada de Lucas Cupertino juntamente a belíssima sequência de acordes de seu violão, nos remete a um ambiente tranquilo e saudosista, e, de certa forma, nos convida para entrarmos em contato com o lado mais intimista de seu autor. E, claramente, por esses aspectos, “Saudade” não poderia deixar de estar nesta lista. Vale também conferir “Maria”, um single que faz parte da mesma safra de “Saudade”. Nas principais plataformas de música, você poderá encontrar disponível a música “Saudade”.

6. (BÔNUS) Outras produções alagoanas que recomendamos

A canção “Berlim” e o álbum “Time da Mooca”, de Ítallo França, são duas produções que consideramos tão boas ou melhores que qualquer uma listada acima. Além dessas duas, a música “REMEXO”, da artista HUNÁ, é a melhor produção musical feita no gênero Trap em Alagoas. O empoderamento feminino, o vanguardismo e a inovação são alguns dos aspectos que fazem com que a faixa tenha sido considerada por nossa mesa de análise a melhor do ano nesse gênero. Por último, “Medo”, de Lzu. x Mordaz, merece ocupar o posto de uma das melhores faixas produzidas no Rap, além de que o álbum “Catalepsia”, a qual a música faz parte, é um dos álbuns mais significantes do ano.

Por Madson Costa

Quintal da Arte promove exposição de música e arte neste sábado, no bairro do Feitosa.

Em comemoração á sua inauguração, o Coletivo Quintal da Arte, formado por artistas independentes de Maceió, promoverá uma exposição de música e arte neste sábado (12), na rua Monsenhor Cícero Teixeira de Vasconcelos, 23, no bairro do Feitosa. O evento contará com a presença de diversos artistas e músicos locais, também haverá bazar, brechó, batalha de rima e produtos artesanais á venda, além de comida e bebidas.

Estarão à mostra as obras dos seguintes artistas: @geocentrismo, @oriana___perez, @artistamagdabraz, @art.elizangela, @kawakaze, @nikkoart_, @ohanart.e, @botiuseu, @amanda.pinturas, @isabenhes, @juliaduduu, @marvin.vieira, @vespa.brecho, @gracinhas.sa e @.efemera.

Na parte musical, se apresentarão: DJ Milena Brandão, Batata Boy, Guga Figueiredo, Jere, Quintal da Arte, Um Quarto Pensante e Joãozinho do Gueto.

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O evento será das 15 às 23 horas, e para comprar o ingresso, que custa 10 reais, basta apenas entrar em contato com a organização através do Instagram @quintaldart. Como forma de proteção contra a Covid-19, todo o público terá sua temperatura medida na entrada do evento, receberá higienização com álcool em gel e será obrigatório o uso de máscara. Do mesmo modo, também será necessário que se respeite a norma de distanciamento social de um metro por pessoa. É importante ressaltar que a área do evento se trata de um espaço aberto.

Em relação à organização por trás do evento, o Quintal da Arte é um coletivo artístico que atua de forma independente, tendo como sede seu estúdio de música localizado no bairro de Cruz das Almas. Ele é encabeçado pelo músico multi-instrumentista Gustavo Figueiredo e composto pelos artistas Antônio Gama, Gabriel Chapiuski, Isabelle Lins, Luciano Giro, entre outros.

Por Madson Costa

Da Venezuela para Alagoas, conheça a arte e trajetória de Oriana Perez

Nascida na cidade venezuelana de Maracaibo, no estado de Zulia, e filha de dois professores universitário, Alfredo Perez, biólogo, e Nayibe, Perez, ecóloga, Oriana Perez, de 20 anos, é uma artista visual venezuelana multifacetada, que reside em Maceió há 3 anos. Seu percurso por Alagoas inicia-se como resultado da crise sistemática que acomete a Venezuela desde o fim do governo de Hugo Chavez. Alagoas, para ela, surge como uma metáfora que aponta para o descobrimento de si enquanto artista, já que é em terras alagoanas que ela se descobre enquanto tal.

Oriana Perez
Foto por: Geoneide Brandão

Em Alagoas, Oriana Perez amplia seu diálogo artístico para diversos segmentos e linguagens, se consolidando como artesã, pintora, cineasta e artista plástica. Na sua trajetória, Alagoas surge como marco inicial, mas as influências de sua região natal firmam-se como seu berço artístico, é lá onde foi despertada sua curiosidade, que, logo cedo, fez com que começasse a reproduzir a natureza em diferentes formas.

Na produção artística de Oriana, a América Latina estabelece-se como uma de suas bases. Para entendê-la, é necessário ter consciência do jeito como ela constrói essa conexão intrínseca com sua origem latina, suas obras dialogam diretamente com o que é ser latino americano de forma contemplativa e, ao mesmo tempo, de maneira real, sólida e crua, reivindicando e se posicionando politicamente. Ela sabe os pesares e as felicidades de ser latina.

 

Oriana Perez
Foto por: Geoneide Brandão

Como pintora, Oriana inspirou-se em vários artistas impressionistas, como Armando Reverón, Henri Matisse, Camille Pisarro e Claude Monet, os quais despertaram um senso de captar a luz e movimento em suas obras. Reverón veio como uma primeira referência, o contato com sua obra aconteceu em uma exposição do artista em Caracas, a qual vislumbrou em Oriana novas possibilidades de como transformar e utilizar materiais e objetos não usuais para criar arte.

As obras de Oriana Perez destacam-se pelo peso que carregam e a sensibilidade que conseguem desperta através do que é retratado, fato que fez com que, apesar de pouca idade, ela tivesse uma de suas obras escolhida para ser exposta na Galeria de Arte Nacional de Caracas e que seu curta de estreia “Nunca olvidar” fosse contemplado no mais importante festival de cinema alagoano, a “Mostra Sururu de Cinema Alagoano”, em sua décima primeira edição. Além disso, a artista também é a idealizadora do projeto “Ciclos Visuais”, que acontece desde outubro de 2020 no Teatro Deodoro.

Oriana Perez Foto por: Geoneide Brandão

Nesse ano, através de uma de suas pesquisas estéticas, advinda do seu costume de guardar folhas e flores em livros, a artista também lançou sua linha de brincos “Folium”, que surge como uma nova expressão artística que conversa com o seu universo criativo-visual. Uma concepção estética através da moda, que visa aproximar a obra da artista as pessoas, tendo um vínculo de intimidade palpável.
Além de sua pesquisa voltada para sua linha de brincos, ela também desenvolve outra pesquisa estético-visual, se baseando principalmente em corpos, especificamente de mulheres, com paletas de cores majoritariamente terrosas e pinceladas largas e fortes, alcançando novos horizontes estéticos, que antes se concentravam em técnicas mais realistas.

Já em relação ao projeto cultural que desenvolve, Ciclos Visuais, em parceria com o Teatro Deodoro, nesse espaço, promove-se um vínculo de produção artística feminina, em encontros semanais voltados à pintura, reunindo jovens artistas conhecidas, que dialogam entre si em uma exposição coletiva, onde cada artista produz uma tela por mês, sendo essa periodicidade, então, o ciclo que referencia o nome do projeto.

Por Madson Costa

CONHEÇA OS DOIS JOVENS ARTISTAS DE ALAGOAS QUE VÃO EXPOR EM LONDRES

Uma nova geração de jovens artistas surge em Alagoas, dentre os novos nomes, destacam-se os artistas visuais Pedro Lima, de 23 anos, e Geoneide Brandão, de 21 anos, que estão prestes a levar a arte produzida no estado para uma das principais capitais do mundo, Londres. Os dois foram escolhidos para expor na The Brick Lane Gallery, na Inglaterra, através de uma chamada aberta feita pela galeria em seu Instagram (@bricklanegallery).

Pedro Lima e Geoneide Brandão
Foto por: Marina Nemesio

Após enviarem seus trabalhos e serem pré-selecionados, eles conseguiram vencer o concurso e angariar um espaço de 3 metros para exporem suas obras. Pessoas do mundo inteiro participaram do concurso cultural para conseguir a oportunidade de exibir gratuitamente seus trabalhos no espaço da galeria, e os dois artistas de Maceió fizeram a proeza de estar entre os vencedores. Agora resta aos dois escolherem as demais obras que irão compor a exposição coletiva, que ainda não tem data marcada.

A The Brick Lane Gallery é um espaço voltado para exibição de arte urbana contemporânea de artistas britânicos e internacionais, expondo o que há de novo na pintura, desenho, escultura, fotografia, entre outros. O aluguel dos espaços da galeria custa, em média, 3.600 euros por dia, de acordo com o site da galeria.

Apesar de tudo, eles ressaltam que ainda precisam de ajuda para custear a viagem até Londres, e isso pode ser feito entrando em contato com eles por meio de suas redes sociais (@geocentrismo) e (@pedrulim4). Pedro Lima diz que está tentando custear sua passagem através das vendas de suas obras, que podem ser adquiridas em seu site pedrolim4.com, onde elas estão à venda. Já Geoneide Brandão diz que tentará custear sua viagem do mesmo modo, vendendo seus quadros e prints.

Além de trabalhar com pinturas, o artista de 23 anos também trabalha com colagens e material multimidia, com foco no expressionismo abstrato, retratando o que se enxerga numa caminhada pelo asfalto da sua cidade natal, ao passo que apresenta sua visão de vida.

Em relação a Geoneide, que cursa licenciatura em Artes Visuais na UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), o jornalista e artista visual Pedro Firmino explica que “a arte visual é o meio que ela usa para afirmar sua existência e expressar sua voz. Muitos de seus trabalhos atuais em tinta óleo foram inspirados nas pinturas de Georgia O’keeffe. Assim como “Do Espiritual na Arte”, de Kandinsky, influenciou Georgia, esta também se reflete nas obras de Geoneide. Assim, ela cria cores vibrantes e tons pastéis evocando um sonho. Isso, de uma forma ou outra, se manifesta em suas palavras: “Pinto para materializar meu sonho “.

 

Por Madson Costa

Conheça Batata beats vol. 1, o novo EP do Batata Boy

No dia 22 de outubro, Leonardo Acioli, beatmaker, multi-instrumentista e produtor musical alagoano, mais conhecido como Batata Boy, lançou seu segundo EP solo, Batata beats vol. 1, em comemoração ao seu aniversário. Seu novo trabalho contém quatro faixas instrumentais, que contrastam com seu primeiro EP, Batata Boy, mais voltado para canções, fato que evidencia sua talentosa multiface musical, com obras que variam desde o cancioneiro lírico até o instrumental puro com batidas.

Leonardo, ou Batata Boy, como quiser chamar, já foi elogiado por nomes importantes dentro da cena musical brasileira, como Ana Frango Elétrico e Lay Soares, da banda Tuyo. Em sua nova obra, o artista alagoano reuniu seus beats mais recentes: “flautinha”, “love message”, “iai btt boy” e “voltas no mundo pt. 1”.

“Flautinha”, a primeira faixa do EP, surgiu através de uma parceria com o beatmaker paulista Garbela, quando Batata visitou o seu estúdio em Campinas, em São Paulo. Durante o encontro, os dois também gravaram outra beat tape, que será lançada em breve. “Flautinha” desperta uma doce calmaria, que se constrói através dos movimentos intangíveis da faixa, ao passo que aparenta querer exercitar um certo olhar subjetivo para o interno e o imaginar de um belo fim de tarde.

Já a segunda faixa do EP, “love message”, feita em parceria com o alagoano Jefu, tem seus pés no lo-fi hip-hop, que ajudam a criar um clima mais intimista e introspectivo, enquanto se engendra um ambiente mais reflexivo sobre coisas como o amor. Além disso, ele também lançará o clipe da faixa no dia 5, quinta-feira, de novembro. Filmado e editado pela norueguesa Mathilde Wigre no “Festival Mimo”, em Olinda, 2018, quando o beatmaker estava no evento vendendo discos.

A terceira faixa, “iai btt boy”, que tem sample de “Canta, Canta Mais”, de Tom Jobim, se opõe às tendências das faixas anteriores, Batata ousa ser vanguardista e fazer experimentações nela. Nessa faixa, destaca-se a desconstrução de frases retiradas de áudios do WhatsApp, onde colegas do beatmaker, os artistas visuais Lucas Rodrigues, Geoneide Brandão e Oriana Perez discutem sobre o amor. Desse modo, Batata inova e torna-se vanguardista por um curto período.

“Voltas no mundo pt. 1”, a última faixa, com quase 10 minutos de duração, foge do padrão sequencial de beats curtos. Batata Boy nos prepara através da obra para esse último som, o qual atiça o mistério e o sensorial. Ele propõe uma quebra cíclica dos próprios padrões sonoros da faixa, o que, em certos níveis, é algo de vanguarda.

“Voltas no mundo pt.1” nos leva para uma viagem interna com sua textura musical, por intermeio dessa experiencia, ela provoca uma emoção melódica. Batata beats vol. 1 representa a genuína qualidade artística de uma nova geração de artistas alagoanos, a qual o beatmaker surge como um de seus expoentes. O EP foi produzido e mixado por Batata Boy, com a coprodução do músico alagoano Bruno Berle.

Por Madson Costa

USB e a cena do skate alagoano

Foto: Vinicius Braga

A cena do skate alagoano ainda se encontra em processo de expansão, que apesar de incipiente, vem se desenvolvendo bastante com a inserção de marcas, grupos e mídias locais especializadas na difusão da cultura do skate. Dentro desse contexto de expansão, a USB (União Skate Brazza) destaca-se por se firmar como um paradigma para esse avanço. Inicialmente, formada por Ruah Santiago e Dario Cardoso, a USB tem sua origem em meados de 2017, um período conturbado para o skate alagoano, onde não havia campeonatos ou lojas que estimulassem o crescimento do esporte. No estado, a cena cultural encontrava-se estagnada, em um quadro de decadência cada vez maior, que, posteriormente, viria a passar por um processo de reconstrução com o surgimento de novos nomes nela.

Poucos meses depois da sua criação, a USB teve que lidar com a saída de Dario Cardoso, um dos criadores iniciais da marca, e com o fato de que ainda continuava uma incógnita para o público, que não sabia em qual segmento ela se encontrava. As coisas mudariam para a marca em 2018, quando Otavio Barros, skatista e designer, entrou para USB e começou a trabalhar com os aspectos externos e a identidade visual da marca, se preocupando com comunicação com o público. No entanto, a cena do skate ainda estava sujeita ao monopólio de alguns picos da parte baixa maceioense, onde se concentrava a maioria dos praticantes do esporte. A parte alta se encontrava esquecida e os praticantes dessa região pouco recebiam atenção, já que a concentração era em bairros como Ponta Verde e Jatiúca.

Nesse cenário, a USB se destaca também por promover um campeonato de skate na parte alta maceioense, na Vila Olímpica do Conj. Campestre Village II, em dezembro de 2018. O “Skate na Vila” teve grande relevância para o cenário local daquele ano, já que foi um dos dois campeonatos que aconteceram no estado naquela época. O evento chegou a ter mais de 20 atletas da cidade competindo, mas não se destacou somente por isso, a presença de atletas femininas também se firma como um importante fator sobre o evento, que reafirmou seu papel na promoção da igualdade de gênero dentro do esporte. Além do “Skate na Vila”, a USB pretende promover o “MCZ Skate Festival”, cujo intuito é ser o maior evento de skate que Alagoas já viu, fazendo uma junção de um grande campeonato de skate com feira literária, exposição de arte e atrações musicais. Contudo, devido à falta de recursos financeiros e à pandemia do covid-19, o evento foi adiado.

A USB também está pondo Alagoas no mapa como um dos pontos nacionais da cultura do skateboard. Sua primeira linha de camisas, “USB Classic Series – Drop one”, entrou para o cenário do streetwear, vendo tanto atletas locais quanto de outras partes do país usando suas camisas. Já em relação aos componentes atuais da USB, a equipe é formada por: Ruah Santiago (CEO), Otavio Barros (Filmmaker), Anderson Salustiano (Diretor administrativo), Ilza Maria (Diretora Financeira), Diogo Hondo (Editor de vídeos), Gabriel Fernandes (Atleta), Isaac Meneses (Social media), Bruna Gonzaga (Modelo) e Saulo Santiago (Modelo). Em 2020, com a expansão da marca, o CEO, Ruah Santiago, sente que é hora de mudanças. Inicia-se, então, um processo ampliação da identidade visual da USB, dai, surge a USB Mídia Skate, a primeira mídia digital de Alagoas especializada em skate. Juntamente com a mídia, também surge a USB Skate Store, uma vertente da marca, que se propõe a ser um skate shop.

Em vista de todas essas mudanças, a USB se torna oficialmente uma empresa sob o nome de União Skate Brazza Company, dona de todos os direitos da marca e suas vertentes. Mas a USB não é somente isso, ela é um paradigma para a história do skate alagoano, que se dedica a ousar e ampliar a cena do skate para além das rotas tradicionais de Maceió, levando o esporte para as regiões mais afastadas e se consolidando como a primeira mídia digital de Alagoas especializada em skate.

Por Madson Costa

Conheça “Azul Neon “, o novo single de Phylipe Nunes

No dia 30 de julho, quinta-feira, Phylipe Nunes, cantor e compositor pernambucano, lançou oficialmente seu single “Azul Neon & Lá Vem O Céu”, que também antecede o lançamento de seu novo disco. Lançado pelo selo musical Batata Records, o single conta com 3 faixas e uma parceira com cantor e compositor Bruno Berle, considerado um dos principais expoentes da jovem música alagoana. Phylipe Nunes dispõe de uma extensa biografia artística, sendo parte do “The Mozões”, banda e movimento cultural pernambucano-alagoano, conquistando o 2° lugar no Festival Em Cantos de Alagoas, com sua canção autoral “Verde”, e já tendo se apresentado ao lado de bandas como Carne Doce e Troco em Bala.

Capa do single “Azul neon & Lá vem o céu” (Batata Records, 2020) | Ilustração: Sizesus (Virgínia Guimarães)

Seu primeiro EP “Nunes”, lançado em 2015, recebeu boas críticas, com a canção “Sweet Solidão”, ele angariou um lugar entre as músicas brasileiras mais lindas de 2015, ao lado de músicas como “Mãe” do rapper Emicida. Phylipe Nunes também já foi elogiado por artistas como “Sara Não Tem Nome” e tem sua produção bem aceita pela crítica e a comunidade artística. Além disso, ele também fez parte da coprodução do álbum “Areia e Mar” e uma das músicas do álbum “Lindeza II”, mixado por ele, integra a trilha sonora do filme nacional “Morto Não Fala”. Tudo isso já demonstra o que se deve esperar de “Azul Neon & Lá Vem O Céu”, uma produção que alterna entre o cancioneiro caseiro e o instrumental.

O single surge como um paraíso de memórias, que reúne canções gravadas em diferentes momentos e lugares. Assim, provocando uma espécie de sensibilidade, que desperta a nostalgia e a doçura dentro do peito, ao passo que propõe um momento de respiro para que pensemos sobre o amor. Sim, “Azul Neon & Lá Vem O Céu” é, sobretudo, uma reunião de sentimentos e comunhão entre amigos que tem em comum a serenidade artística. Em “Azul Neon”, a primeira faixa do single, Phylipe Nunes traz a melodia do que é estar essencialmente apaixonado. “Quando você chegar, meu coração se abrir, o medo se desfará”, traz à tona o que é estar em um estado de sintonia com seus sentimentos, onde, basicamente, a paixão se torna o ponto conjunto sob um céu azul neon.

Rex Jazz Bar, Maceió-AL, 2018 (Com a banda Azul Azul, lançamento do disco do compositor
Wado) | Foto: Gustavo Costa

Mas, ao mesmo tempo, também é sobre o tempo, partida e memórias, “nunca vou esquecer o quanto amo você, tampouco a cor do céu”. O céu é o sentimento remanescente, que nos acompanha ao longo da vida. Na segunda faixa do single, “Lá vem o céu”, gravada no Montana Records e feita em parceria com Bruno Berle, que canta e toca violão na música, Nunes propõe-nos uma sintonia melódica com a calmaria, a qual se intensifica ainda mais com a construção de um universo simbólico, que mescla componentes naturais e o que só nós podemos sentir, como em “tuas palavras despertam bem mais que o sol, se harmonizam com a luz e com o mar”. “Lá vem o céu” parece querer despertar a nossa parte onírica, como se viesse direto de um sonho, onde, mais uma vez, a memória do amor se torna o personagem protagonista desse sonho-canção.

Já a última faixa, “Vim de Longe Vim do Norte”, se afirma como um sopro instrumental de saudades, que contrasta com o som vocal de Nunes, de modo, que parece que estamos escutando os próprios ventos vindos do Norte ao anoitecer do dia. Decerto, poderia analisar a obra através de toda uma literatura teórica sobre o que é forma e um estudo objetivo da pertinência da arte. No entanto, sinto que ao fazer isso, estaria perdendo a essência do que é “Azul Neon & Lá Vem O Céu”, algo que busca nos fazer captar a emoção estética que Nunes quer nos passar. ““Azul Neon & Lá Vem O Céu”” é sobre sentir, e para sentir, não precisamos de teoria. “Não sinta mais tristeza, só o amor restará”.

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Por Madson Costa

Conheça a arte empoderada de Midrusa

 

Midrusa (Arquivo Pessoal)

Miguel Henrique, mais conhecido como “Midrusa”, é um jovem artista visual maceioense, de 25 anos, e estudante do curso de Design na Ufal (Universidade Federal de Alagoas). Passou sua vida morando entre o Bom Parto, Brejal e a Chã da Jaqueira, onde reside atualmente há 15 anos. Apesar de não haver alguém em sua família que trabalhe com arte, logo cedo, ele começou a se afeiçoar por ela. Se inspirava nos desenhos animados que via na televisão, desenhava bonecas com cabeças gigantes. Quando estudava no Sesi Cambona, entre a primeira e a terceira série, participou de uma exposição de arte promovida pela escola, embora não tenha comparecido a ela.

“Felizmente, minha família sempre me incentivou a seguir desenhando. Eu amava as matérias de artes, tanto que quando estudava no Sesi Cambona, desenhava bastante o Sesinha”, diz Midrusa.

Apesar de gostar de desenhar desde quando era criança, Miguel não imaginava seguir carreira como ilustrador ou artista visual. Na realidade, ele pretendia trabalhar com moda, que era uma de suas paixões. Dentro desse contexto, a arte, para Miguel, surge como um dos principais meios de representação, uma forma de subverter o papel de servidão do corpo negro nos campos artísticos, de modo que se possa utilizá-la para criar um local empoderado, onde possamos contar nossas histórias ocultadas pelo tempo e a repressão.

“Comecei a retratar pessoas pretas por um tempo, majoritariamente homens, como um meio de lutar contra o auto ódio, contra minhas inseguranças. Enfim, me ver como alguém que merece estar aqui nesse plano. Fiz poucos autorretratos, mas eu consigo me enxergar em outros corpos negros”, complementa Midrusa.

Em seus trabalhos, a violência, comumente associada como parte fundamental do que é a produção artística negra, dá espaço para o empoderamento mitológico de suas peças. Miguel narra a realidade poeticamente, a partir de suas obras cujos temas simbolizam a maternidade, infância, entre outros, ao passo que traça um paralelo com as forças da natureza como forma de dizer que fazemos parte desse mundo. Essa analogia aos elementos da natureza vem de suas inspirações em religiões de matriz africana, que, de acordo com ele mesmo, faz-lhe sentir-se representado enquanto pessoa preta.

Em suas obras, a cultura negra matriarcal carrega o papel de protagonismo subversivo contra a violência de uma sociedade patriarcal organicamente violenta para reafirmar que nossa cultura também é matriarcal e preta. Midrusa cria um universo mitológico em suas obras, recontando a história da criação do mundo sob aspectos diferentes, representando a natureza, a cura, o amor e a prosperidade.

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“Gosto muito de histórias sobre a criação do mundo, as diferentes cosmologias e mitologias. Infelizmente, são mais propagadas histórias embranquecidas sobre isso. Histórias, essas que contribuem para o racismo e subjugação de nossos corpos. Represento os corpos que não são vistos pela maioria para dizer que somos poderosos. Desde bebês até a velhice, nossa existência é poderosa e não devemos aceitar menos que isso”, afirma Midrusa.

Uma das obras de Midrusa

Seus trabalhos contam com um alto grau de perfeccionismo em seus traços, construindo um universo simbólico intrinsicamente conectado ao seu imaginário e suas experiências enquanto indivíduo. Sua capacidade de criação e seu talento são vistos nos acabamentos de seus desenhos, na paleta de cores utilizada para construção da conexão entre suas obras.

Além disso, Midrusa também faz desenhos realistas, os quais demonstram a complexidade artística de suas criações. Ele usa uma variedade de técnicas, que fazem com que seja difícil descrever sua produção, que não pode ser resumida apenas ao seu universo mitológico, apesar de ser majoritário nas produções recentes. Nas suas obras mais antigas, a lua, flores e tons de rosa assumem o foco central, enquanto que no intermeio, o corpo humano e animais em tons mais escuros ocupam esse espaço.

De modo geral, ele utiliza a figura humana e sua expressividade como inspiração, também utiliza técnicas de traços simples e contínuos. Cada uma de suas obras proporciona uma experiência diferente, como se fossem aventuras totalmente distintas, cujo o sentimento despertado em nós varia de acordo com qual ela seja.

Midrusa trabalha com ilustrações e também fez um dos cartazes da “Mostra Quilombo de Cinema Negro”, no qual ele propõe a retomada de sua ancestralidade, construindo uma identidade e processos de resistência através da criação de raízes para se manter nessa nova terra. Midrusa chama atenção por suas obras, as quais evidenciam sua capacidade de ser um dos futuros grandes nomes da cultura alagoana. Todas as suas obras podem ser vistas no seu Instagram, @omidrusa.

Por Madson Costa

“HIPNOSE” de Saci e Lzu., uma obra-prima do rap alagoano

No dia 25 de março de 2020, quinta-feira, foi lançado “Hipnose”, uma produção independente alagoana feita pelos MC’s e beatmakers Saci e Lzu., que também é artista visual. O EP, “extended play”, que conta com 6 faixas e está disponível no Youtube, se destaca pela complexidade e a maturidade das letras e a estética essencialmente lo-fi.

A produção é o primeiro trabalho feito totalmente através da colaboração entre Saci e Lzu., que fazem parte da Febre do Rato Produções, selo musical e coletivo artístico maceioense. Segundo Lzu., apesar de estarem envolvidos em muitos trabalhos, esse foi o primeiro só dos dois.

“A construção do EP se deu de maneira muito espontânea, já que nós dois nos conhecemos há muito tempo. Numa dessas conversas casuais, resolvemos criar algo juntos. Enviei alguns beats para ele, ele selecionou, começou a escrever e tudo foi se encaixando”, diz Lzu.

“Hipnose” traz consigo a ideia de dar uma pausa para respirar um pouco em meio a todo o caos em que estamos vivendo. Surge como uma espécie de metáfora, que busca exercitar um certo olhar para dentro através de narrativas de acontecimentos e sentimentos cotidianos, ao passo que também busca nos fazer refletir sobre o nosso papel enquanto indivíduos nesse determinado lugar e momento histórico que vivemos.

“A arte vem como uma espécie de terapia para a gente”, complementa Lzu.

O lo-fi presente em “Hipnose” se reafirma como em sua essência e origem, low-fidelity, uma estética de aspectos caseiros. Nesse sentido, o rap lo-fi de Lzu. e Saci aponta para uma retomada do movimento “Do it yourself”, “faça você mesmo”, o que torna a obra muito mais livre em termos artísticos.

A postura independente de “Hipnose” afasta-o de se enquadrar nas demandas mercantilistas e da arte enquanto mero objeto da indústria cultural. O EP foge do genérico e do raso, mesmo se propondo a ser uma narrativa de fatos cotidianos. “Hipnose” vem para narrar sonhos, desejos e ambições, como fica explicito em “Quem mandou”, uma das faixas do EP, e em “Hipnose”, outra faixa cujo o nome é idêntico ao título da obra.

Além de “Hipnose”, Lzu. e Saci contam com um vasto repertório de obras já lançadas. Lzu., que tem colaborações com artistas de diversos países, produziu “Um retiro pro mundo dos caminhos”, “Memento Mori”, “Frutas Estragadas” (em colaboração com o carioca Lessa Gustavo), “Abstrações de você” (em colaboração com o alemão Smoke Trees), “Anos luz amizade” e “Catalepsia”, (feito em colaboração com Mordaz, rapper maceioense).

Enquanto que Saci, considerado um dos maiores expoentes do rap alagoano por Bruno Berle, lançou recentemente o clipe oficial da música “Cocó da Peste” com o grupo de rap o qual faz parte, Reles No Rules.

Além disso, ele também tem um álbum próprio, “Singularidade”. Todas as obras estão disponíveis nos perfis dos dois no Soundclound, Lzu. e Saci, ou no Youtube, Bandcamp e demais lojas de streaming, como Spotify, Deezer, Amazon, entre outros

 

 

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Por Redação

Jovem alagoano tem trabalho aceito em Jornal Europeu de Neurologia

Gabriel Lessa de Souza Maia, de apenas 21 anos, acadêmico do segundo período de Medicina na Unit (Centro Universitário Tiradentes) teve seu trabalho aceito por um dos mais tradicionais jornais de ciência da Europa, o European Journal of Neurology.

O trabalho do jovem intitulado de “Understanding the Stone of Madness and it’s philosophical impact on the ethics of neurology” deveria ter sido apresentado no Sexto Congresso da Academia Europeia de Neurologia, em Paris, no dia 23 de maio. Todavia, devido á pandemia do Covid-19, foi apresentado virtualmente na mesma data. O trabalho está disponível no 27° volume do jornal, no suplemento 1, página 1292

Gabriel diz que em sua pesquisa “aborda o conceito de “Pedra da Loucura”, uma pedra hipotética, causadora de patologias mentais, que se acreditava existir no crânio de pessoas com desordens de instâncias neurológicas ou psiquiátricas, e seu impacto na construção da visão do médico, especificamente o neurologista, nos dias atuais”.

“Fiz uma análise a partir da literatura da época e também em relatos árabes, mas focando na produção europeia medieval. Também analisei pinturas de artistas do período renascentista, que mostravam a prática da trepanação, uma incisão cirúrgica para remover essa pedra. Um dos artistas que posso destacar é o holandês Hieronymus Bosch, que retrata o médico, então chamado de “barbeiro”, como um “charlatão”, complementa Gabriel.

Por Redação

A representação negra nas artes: Parte II

O termo “Négritude” foi cunhado por Aimé Césaire (1913-2008), poeta, político e intelectual afro-caribenho, em seu poema “Cahier d’un retour au pays natal”, em 1930. Seu intuito era, em primeiro lugar, reivindicar a identidade negra, perante a cultura dominante europeia. Dessa forma, abrindo um espaço de autoafirmação, que, posteriormente, seria aprofundado por Léopold Sédar Senghor (1906-2001), poeta, político, intelectual e ex-presidente senegalês.

Segundo Senghor, “a négritude é o conjunto de valores culturais da África negra”. Para Césaire, “esta palavra designa em primeiro lugar a repulsa. Repulsa ante a assimilação cultural; repulsa por uma determinada imagem do negro tranquilo, incapaz de construir uma civilização”. O efeito da “Négritude” foi explosivo, reuniu diversos intelectuais negros de diferentes partes do mundo, ao passo que também conseguiu fazer com que outros intelectuais se unissem a eles, como Jean Paul Sartre (1905-1980), o qual definiria o movimento como “a negação da negação do homem negro”.

Um dos aspectos mais ousados do movimento foi a subversão semiótica do termo “nègre”, o qual era utilizado para pejorativamente intitular negros em francês, mas que deu origem ao termo “Négritude” para empodera-los. A revolução no sentido da palavra é equivalente à revolução intelectual provocada pelo movimento, que também contava com Léon-Gontran Damas (1912-1978), político e poeta da Guiana Francesa, como um de seus três fundadores.

A insurreição intelectual causada pelo movimento influenciou uma serie de autores: Birago Diop (1906-1989), do Senegal, o qual explorava o místico da vida africana em seus poemas, David Diop (1927-1960), escritor de poesia revolucionária e de protesto, Jacques Rabemananjara (1913-2005), cujo os poemas glorificam a história e cultura de Madagascar, os camaroneses Mongo Beti (1932-2001) e Ferdinand Oyono (1929-2010), que escreviam romances anticoloniais, e Tchicaya U Tam’si (1931-1988), cuja poesia extremamente pessoal não negligencia o sofrimento do povo negro.

Com o surgimento da onda de protestos e o fortalecimento da luta antirracista após o assassinato de George Floyd, sinto que foi extremamente necessário redigir um texto que abordasse a temática da representação negra através da história, de modo, que a promovesse e combatesse a sua ocultação.

No cenário em que vivemos, é necessário agregar e contribuir com a luta antirracista, seja indo aos protestos, ou reconstruindo a memória da identidade negra e toda sua produção intelectual. Assim, não somente divulgando autores negros, mas também servindo como alicerce para uma afirmação, que contraria o que é historicamente associado e negado ao povo negro.

Mesmo dentro de áreas com tendências mais progressistas, como a arte, temos que lidar com o racismo que se estende nelas, de forma implícita ou explicita. Até mesmo grandes nomes da literatura brasileira, neste caso, Monteiro Lobato (1882-1948) já expos seu racismo em suas obras e até mesmo numa carta inédita endereçada para Sergio Buarque, onde fica exposto seu “cinismo escritural antinegro”, que não perdoou nem o maior escritor brasileiro de todos os tempos — Machado de Assis (1839-1908) —  

Creio que também seja válido citar alguns nomes que estiveram ou estão em ascensão na luta antirracista, contribuindo de alguma forma ou de outra: Jean Michel Basquiat (1960-1988), artista negro neoexpressionista americano, que introduziu o grafitti ao cenário das galerias de arte e se tornou um “hit”, Silvio Luiz De Almeida, jurista e filósofo, que agrega ao debate sobre o racismo com suas ideias, Jones Manoel, professor de história e militante do PCB (Partido Comunista Brasileiro), que escreve sobre temáticas negras e a nossa solidão no mundo intelectual, e Solano Trindade (1908-1974), poeta brasileiro, folclorista, teatrólogo, cineasta e  militante do PCB e do Movimento Negro, cujo trabalho tem uma estética negra.

Nomes dentro da filosofia e sociologia, como, por exemplo, Du Bois (1868-1963), sociólogo pan-africanista e escritor americano, cujo trabalho serviu como base para a criação do empoderamento intelectual negro, e Frantz Fanon (1925-1961), filósofo, psiquiatra e ensaísta marxista da Martinica, cujo trabalho contribui para o fortalecimento da teoria pós-colonial, merecem ser citados aqui também. 

Também há dois outros nomes que, futuramente, aparecerão por aqui, mas que eu gostaria de já citar: Natanael Vieira, poeta, professor e escritor maranhense negro, que se tornou doutor honoris causa em literatura pela FEBACLA (Federação Brasileira de Acadêmicos das Ciências, Artes e Letras) aos 21 anos, e Miguel Nogueira, mais conhecido como Midrusa, artista maceioense de 25 anos, cujo empoderamento negro está mitologicamente presente em suas obras.

Por Redação

A representação negra nas artes: Parte I

A construção do campo artístico, em especial no Brasil, é historicamente marcada por um racismo estético ou um autoritarismo sutil, que perpetua o status quo. A representação do corpo negro na arte tem o seu caráter ideológico, submisso às estruturas dominantes e reproduzido através de distintos aparelhos coercitivos. A necessidade de inferiorizar e vulgarizar o negro também se expressou através da arte, que não poderia estar aparte das diversas teorias eugenistas, que surgiam no século XIX, tal como o darwinismo social.

Inicialmente, as marcas da escravidão e, posteriormente, do eugenismo encravaram profundamente nas produções artísticas brasileiras, que, ainda no século XIX, estariam sujeitas à necessidade e às políticas de “embranquecimento” da população, que visavam progressivamente apagar o fenótipo negro do Brasil, no período pós-abolição. As consequências da colonização e da escravidão geraram um efeito de apagamento e destruição da história pré-colonial africana, que foram e são nocivos à identidade negra e sua autoafirmação.

No entanto, a exposição do corpo negro em papel de servidão e inferioridade, como em “A redenção de Cam”, de Modesto Brocos (1852-1936), ou “Olympia”, de Édouard Manet (1832-1883), é lentamente subvertida com a introdução de ilustres personagens, que contribuíram tanto  intelectualmente quanto artisticamente para construção de uma identidade negra empoderada e resistente durante a história. O fato é que a arte também desempenha sua parte na reprodução de opressões e na perpetuação das formas relacionais de poder.

A nação brasileira foi construída sobre o suor negro, e, apesar disso, há uma grande discrepância racial entre as posições que negros e brancos ocupam nas estruturas sociais, de modo que, enquanto um é vítima dessas mesmas estruturas, o outro utiliza-as para perpetuar seus privilégios e autoridade. As estruturas e relações de poder na sociedade brasileira podem ser facilmente resumidas com as obras de Jean-Baptiste Debret (1768-1848) – em especial com sua obra intitulada de “O regresso de um proprietário” –, onde é retratado um proprietário de escravos sendo carregado numa rede por negros escravizados.

Dentro desse contexto, figuras históricas surgem e tomam seu papel de resistência e combatividade na luta contra as opressões, por exemplo, pessoas como; Arthur Timótheo (1882-1922), Benedito José Tobias (1894-1963), Lima Barreto (1881-1922) e Luís Gama (1830-1882), ilustres personagens, que com seus trabalhos ajudaram a reconstruir uma identidade negra afirmativa e lutar contra as formas simbólicas de racismo.

Em um contexto mais amplo, no século 20, a partir da década de 30, veríamos o advento do “Négritude”, movimento literário e intelectual de exaltação dos valores culturais dos povos negros. Pode-se dizer que essa insurreição intelectual negra é o resultado das influências de um outro movimento, o “Harlem Renaissance”, uma espécie de explosão e florescimento artístico e literário entre pensadores e escritores negros, que emergiu nos Estados Unidos, em Nova York, durante 1920.

O objetivo do movimento era simples; combater a representação estereotipada do corpo negro feita por brancos, a qual influenciava diretamente no jeito como pessoas negras viam sua própria hereditariedade. A concentração memorável de intelectualidade e a atenção chamada pelo movimento, que tinha Langston Hughes (1902-1967), poeta e ativista americano, e Claude Mckay (1889-1948), escritor e poeta jamaicano, como seus principais representantes, influenciou os jovens pensadores do Négritude.

*Devido ao seu tamanho, o texto foi dividido em duas partes*.

 

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Por Redação

A jovem arte visual de Elizangela Santos

Definir a arte e sua função é uma tarefa confusa, artistas utilizam-na com uma serie de complexidades distintas, executadas com técnica e estética, que, assim, representam toda subjetividade interior e exterior do mundo que os cerca.  O fato é que a arte é uma das formas de representar a realidade através de perspectivas diferentes, que variam entre tendências conservadoras, objetivas e experimentalistas.

Pode-se dizer que é uma grande dialética de negação do anterior, o de antes é substituído pelo renovado, o novo pelo antigo. Podemos claramente ver essa dicotomia nas renegações presentes no começo do século XX com suas vanguardas experimentalistas, que propunham o rompimento com as tradições do passado e o escancaramento da terrível realidade em que o mundo se encontrava na época, enquanto que, posteriormente, veríamos o advento do “Retorno à Ordem”, termo cunhado por Jean Cocteau, poeta e artista francês, em seu livro de ensaios “Le Rappel à l’ordre”, publicado em 1926.

A grande variedade de técnicas, formas e estéticas é o que nos possibilitou ver as diferentes representações da realidade através  dos séculos, destacando-se o começo do século 20, onde podíamos ver o mundo retratado em fragmentos com o cubismo de Picasso, com a expressão dos sentimentos interiores e do inconsciente com as estéticas expressionistas e surrealistas de  Edvard Munch e Salvador Dalí.

Elizangela Santos é uma artista de influências realistas e renascentistas, que surge dessa dialética artística e histórica. Uma jovem artista visual de 20 anos de idade, maceioense, que reside no bairro do Village 2, e atualmente estuda Design na Ufal (Universidade Federal de Alagoas).

Sua iniciação nas artes remete à sua infância e ao período que teve acesso à internet, quando conheceu grupos de desenho e começou a seguir artistas nas redes sociais, o que a influenciou profundamente a estudar e treinar técnicas realistas.

De acordo com a artista, ela sempre tratou sua aptidão para as artes como um passatempo até que fez sua primeira escolha em relação à vida adulta em 2015, o que a distanciou e, ao mesmo tempo, aproximou da arte. Nessa época, tinha iniciado seu curso de Edificações no Ifal (Instituto Federal de Alagoas), mas que viria a largar em 2018 para se dedicar, quase que integralmente, à sua produção artística, participando de ateliês abertos e feiras que ofereciam espaços para artistas.

“Foi o ano que acabei descobrindo estilos e sendo influenciada por movimentos artísticos, que apresentavam a arte como forma de expressão” — diz Elizangela.

Em 2019, entra no curso de Design na Ufal, onde conseguiu associar as duas coisas, enquanto se descobria fascinada pelo o que estudava. Nesse mesmo ano, participou do “Beco dos Artistas” na 9° Bienal Internacional do Livro de Alagoas, posteriormente, também participou da Urbano Grafia, exposição de arte feita na Galeria Gama.

Elizangela diz que é uma artista autodidata, porque, desde cedo, foi atrás do que queria aprender na tentativa, erro e acerto. Ela também elucida a importância da internet nisso tudo, que, de acordo com ela, “é quase um curso completo com uma comunidade se ajudando”.

Lá, ela conheceu artistas clássicos que a inspiravam a praticar pintura, mas não somente isso, do mesmo modo, conheceu movimentos modernos como o expressionismo, impressionismo e surrealismo. Suas influências são amplas e vem de expoentes como Monet, Van Gogh, Edgar Degas, Edvard Munch, Frida Kahlo, Picasso, Dali, Botticelli e da Vinci, os quais ela tentava fazer releitura de suas obras.

“Me afirmar como artista foi muito importante e os frutos dessa escolha começaram a surgir, participei expondo ilustrações no primeiro “Beco dos Artistas” e na exposição “Urbano Grafia”” — diz ela.

Além de expor em galerias, Elizangela também participa de eventos com enfoque na ocupação artística e cultural de espaços públicos esquecidos, como, por exemplo, praças. Expôs em três edições consecutivas do “Deriva”, evento proposto por estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Unit (Universidade Tiradentes), cujo o objetivo é valorizar mais os espaços públicos que não recebem muita atenção para, assim, movimentar e intervir nesses espaços com música, exposição de arte, dança, poesia, entre outros.

As vivências nos arrabaldes da cidade também a influenciaram, todas as emoções que expressa em suas obras são retiradas de suas vivências. Toda a matéria interiorizada no seu inconsciente se materializa durante o seu processo criativo.

“Eu pinto influenciada por todas as minhas vivências” — Elizangela

Ela, além de trabalhar com desenho e pintura, também trabalha com cyber-arte e ilustração sob encomenda ou apenas para ilustrar os elementos que deseja expressar. Grande parte de sua produção está exposta em seu Instagram, Art.elzngla. No universo de seus trabalhos, é visto o uso de cores quentes, uma certa estética tropical até certo ponto, com retratações cotidianas como uma laranja cortada ou maçãs, cebolas e bananas entorno de um abacaxi.

Paisagens urbanas, cenários domésticos e pontos turísticos tipicamente maceioenses também são temas de sua produção. Em contraste com isso, também vemos uma forte predominância de obras que retratam pessoas e momentos pessoais, ao mesmo tempo que há uma leve variação entre cores quentes e frias em alguns trabalhos.

Seus traços são um contraste à deglutição, ao rompimento com o uso do quadro e conceitualização difundidos por escolas da arte contemporânea, como, por exemplo, o neodadaísmo, a arte conceitual e art povera, os quais divergiam da tendência em direção à pureza formal. Nas obras de Elizangela, é visto o cuidado, a técnica e o uso de ferramentas, que variam do giz pastel ao guache.

Ela também revela que ser artista numa periferia não é uma tarefa fácil, a ocultação e a desvalorização são grandes problemas, não por aqueles que vivem nesses lugares, mas por aqueles que nem sequer prestam atenção no que está surgindo por lá.

Viver quase 20 anos no Village 2 é algo que traz uma bagagem para além do que é exposto nas galerias, essa emoção é bem captada em suas obras, onde é possível ver o urbano mesclado com o realismo cotidiano das coisas. Elizangela é, de fato, mais um jovem talento e sua produção está intrinsicamente ligada ao que é ser um artista periférico.

Todas as postagens são de inteira responsabilidade do blogueiro.

Por Redação

João Menezes e Marvin Vieira, dois jovens talentos da música alagoana

João Menezes e Marvin Vieira, dois jovens talentos da música alagoana, que apesar da pouca idade, ambos com 21 anos, já contribuem bastante para as artes alagoanas por meio de canções que variam entre os mais diversos ritmos e influências da música brasileira e internacional.

Eles nos contam que desde pequenos já tinham contato com distintas influências musicais, que iam do samba ao rock, o que fez com que logo cedo desenvolvessem apreço e familiaridade pela música.

Joao, Marvin e Leonardo

João diz que, desde criança, sempre esteve rodeado por artistas de sua família e diferentes instrumentos musicais, contudo, o mesmo só veio a ter seu primeiro violão em 2014, quando sua avó lhe deu o instrumento para que tocasse na banda da igreja que frequentava

Embora, mesmo já tocando na banda da igreja, ele diz que ainda não havia se descoberto enquanto artista e que isso só viria a acontecer posteriormente, quando conhece outros dois artistas alagoanos,  Bruno Berle e Leonardo Acioli, carinhosamente apelidado de Batata Boy.

Enquanto que Marvin ganha seu primeiro violão em 2011, mas só aprende a tocar  instrumentos quando ganha uma guitarra de seu pai em 2013. Mais tarde, em 2016, ele ingressa no grupo de música Rogério Dyaz e a Trincheira, com o qual ele viaja para se apresentar no Teatro da UFF (Universidade Federal Fluminense) no Rio de Janeiro. Após  retornar a Maceió, ele renega a monotonia de suas aulas no curso de Eletrônica  no IFAL (Instituto Federal de Alagoas) e decide iniciar de vez sua carreira na música como profissional.

Marvin e o Grupo Trincheiras

Em 2017, os dois se conhecem através do Batata, Leonardo Acioli, e fazem amizade com um outro artista chamado Phylype Nunes, que estudava Filosofia na UFAL (Universidade Federal de Alagoas). João e Marvin revelam que a química para fazer  o álbum foi muito espontânea, que surgiu naturalmente ao passo que eles interagiam em reuniões na casa de amigos, nas quais vários jovens músicos se reuniam para fazer arte e gravar canções.

Eles contam que a produção do primeiro álbum deles só aconteceu devido ao grande apoio que receberam dos amigos para produzi-lo. Contando com o amparo de Phylype Nunes e Bruno Berle na parte técnica e musical e de Geoneide Brandão com a fotografia do álbum.

Capa do disco Areia e Mar por Geoineide Brandão

Em dezembro de 2018 é lançado Areia e Mar, o primeiro álbum conjunto de João e Marvin, que conta com 9 faixas, disponível no Youtube e em disco. Sendo lançando durante uma série de shows promovidos pelo selo de música Batata Records no Complexo Cultural Teatro Deodoro.

O selo Batata Records trouxe e reuniu diversos jovens talentos alagoanos para essa sequência de shows no Teatro Deodoro, incluindo nomes como Bruno Berle, Leonardo Acioli, Gaby Girl, Phylype Nunes, o único de outro estado, e os próprios Joao Menezes e Marvin Vieira.

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Phylype Nunes, Leonardo Acioli, Bruno Berle, Marvin Viera, Gaby Girl e João Menezes

O álbum em si é uma amostra do talento e musicalidade  dos dois. A obra conta com influências que variam desde o tropicalismo até o baião e afro-música, contando também com a presença de referências à bossa nova, samba, entre outros.

Com as duas primeiras músicas do álbum “Manhã” e “Até Meu Violão”, podemos sentir a paixão, amor e a pureza, que eles tentam nos passar.

Em “Areia e Mar”, que também é o nome de uma das faixas do álbum, o sangue do baião corre vivo com seu ritmo dançante e altamente cativante, com uma grande mistura de instrumentos, que nos fazem querer dançar e deixam o peito quentinho.

Não somente com essa faixa, mas com outras também, como por exemplo “Ondas do mar” e “Fim de Tarde”, ambas as músicas contam com melodias suaves, calmas e dançantes ao mesmo tempo que trazem à tona as grandes influências que inspiraram os dois a produzir o álbum.

Na faixa “Eu queria Ter Dinheiro”, vemos a narrativa agridoce de amor juvenil e a crítica à falta de condições materiais para a perpetuação do amor, já em “Ipiranga” “Dora” e “Terra Molhada”, as três últimas canções da obra, sentimos uma pura instrumentalidade e uma mansidão, que nos trazem calmaria e sossego.

O fato é que essa produção reúne o que estava faltando no ambiente musical tanto de Alagoas quanto do Brasil, trazendo consigo faixas das mais diversas complexidades e sensações.

João Menezes no Teatro Deodoro

Recentemente, João também lançou uma música solo intitulada de “Eu Te Amo”, que havia escrita há um certo tempo, porém só foi lançada no fim de 2019.

A canção, que está disponível no Youtube e foi gravada na sala de música do Complexo Cultural Teatro Deodoro e produzida por Batata Records e Always Busy Culture, é a manifestação máxima dos sentimentos do músico, onde podemos ver João Menezes em sua totalidade tanto artística quanto poética, além de constatar o seu romantismo lírico.

Marvin e João moram na parte alta maceioense e relatam que esse álbum também é uma criação da periferia, que carregam consigo suas vivências nos arrabaldes de Maceió e que  ele está intrinsecamente ligado ao que se produz lá. Os dois nos confidenciam que a obra é uma produção que reúne o amor, a doçura e a serenidade, que também representam o que é a periferia, que não pode ser resumida apenas a homicídios, violência e tráfico de drogas.

Decerto, João Menezes e Marvin Vieira merecem o título de grandes jovens talentos da música brasileira, mas não somente isso, eles também são o futuro dela!

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Por Redação

Cultura em Ação

A coluna “Cultura em Ação” tem como objetivo abrir espaço para se falar de cultura e arte sob uma perspectiva diferente, com enfoque maior nas produções das periferias maceioenses.

Definir o que é cultural é uma tarefa árdua. O termo evoca uma compreensão multidisciplinar, perpassando por diversas áreas do saber, como a sociologia, antropologia, história, comunicação, administração, economia, entre outros.

Em cada uma dessas áreas, a cultura é trabalhada a partir de aspectos, noções e usos distintos, que mostram o seu caráter transversal presente na vida cotidiana.

Apesar de toda a diferença semântica sobre o que é cultura, trabalharemos aqui com a perspectiva sociológica que remete à noção de cultura como tudo aquilo que resulta da criação humana em sociedade, de seus costumes até suas práticas alimentícias.

Na conjuntura atual, mais do que nunca, faz-se necessário criar um espaço para engendrar, debater e apoiar as artes. Em virtude disso, nasce esse ambiente de discussão, onde se promoverá a difusão da nova cena artística, que floresce nos becos e vielas dos subúrbios de Maceió.

Mostrarei os perfis dos novos jovens talentos, proporcionando-lhes a oportunidade de divulgação de seus trabalhos.

Neste espaço dialogaremos sobre arte em larga escala, abordando temas como: poesia, música, literatura, escultura; cinema; pintura e assim por diante. Sou professor, mas, sobretudo,um artista das letras, um poeta intrinsecamente ligado a nova cena artística dessa cidade, principalmente aos cenários alternativos e marginalizados, que crescem nas periferias de Maceió.

Madson Costa é professor e poeta.

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